Zequinha

Vivemos sempre alguns episódios meio caricatos no estrangeiro. Quando cheguei à Grécia, tinha um brasileiro na minha equipa que me disse que quando quisesse chamar o árbitro devia dizer pusti. OK, assim foi. Nos primeiros jogos chamava-lhes pusti e quase que era expulso! Pusti é gay, só que um gajo sabia lá! Depois é que me disseram o que era. Era o Romeu, que tinha jogado no Fluminense. Esse gajo era com cada tanga que dava….
Na Grécia tive lá uma situação em que não me pagavam há quatro ou cinco meses. Só que vinham falar connosco sempre com exigência, parecia que tínhamos de ganhar os jogos todos. Uma vez o director desportivo chamou-me:
– Zequinha, é um jogo importante. A gente precisa que jogues bem e não sei quê. Vou-te pagar.
Sabes quanto é que me deu? Deu-me 700 euros!
– Por causa do jogo, para estares concentrado….
Eu a pensar que o gajo ia dar-me seis ou sete mil euros, deu-me 700 euros. Depois perdemos o jogo e ainda levei dura!
– Arranjei dinheiro para ti, vocês perdem o jogo e não jogaste nada.
Chegou a uma altura em que tive de vender a televisão e os sofás que tinha em casa para me vir embora.
No futebol há sempre muitas histórias. Se me lembrasse de todas fazia um livro! Na Índia tínhamos seis chauffeurs do clube, eram taxistas, e quando queríamos ir a algum lado, os jogadores estrangeiros, eles levavam-nos. Geralmente aqui quando damos um arroto dizemos “desculpe” ou “perdão” ou “com licença”. Eles não, pá! Um gajo ia no táxi e era só arrotos, era a viagem toda sempre a darem arrotos. O Robbie Keane ficava maluco!
– What is this, my friend?! What is this, my friend?
A sério, os gajos a darem arrotos é uma coisa impressionante. Para eles é normal, acho que aquilo faz parte da cultura deles.
Depois vamos no trânsito, há vacas no meio da estrada e um gajo tem de contornar as vacas. Se bates numa vaca vais preso! A vaca é sagrada lá. Nunca conduzi lá, é um trânsito caótico e, além disso, conduzem do lado contrário como os ingleses.


O experiente avançado do Vitória de Setúbal, que regressou esta época a casa depois de uma experiência na Índia, passou também pelo Larissa e pelo Panthrakikos da Grécia. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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