Victor Espadinha

Em 1963 comecei a trabalhar como locutor, fazendo um programa aos domingos chamado “Domingo Alegre”. Tinha acabado de sair da tropa, uma tropa muito “acidentada” e eu era muito requisitado para fazer vários programas. Nas “Produções Golo”, do António Alves da Fonseca, trabalhava um dos maiores relatores desportivos que Portugal já teve: o Amadeu José de Freitas que tinha sido contratado, vindo da Metrópole. Com ele, no meio dos relatos, eu lia a publicidade (naquele tempo lida em directo). O António Alves da Fonseca tinha a convicção que eu daria um bom relator desportivo e, várias vezes, insistia comigo para eu começar a relatar, ajudado pelo Amadeu. Eu nunca aceitei tal convite porque relatar um jogo, em directo, era das coisas que eu achava ser muito difícil.

Uma tarde, na transmissão de um Ferroviário-Sporting de Lourenço Marques, a meio do jogo, diz-me o Amadeu, em off: – “Pá, tenho de ir à casa-de-banho. Arranja-te como puderes, lê publicidade, inventa qualquer coisa que eu já volto!”

O Amadeu José de Freitas só regressou no final do jogo. Ele tinha combinado esta cena com o António Alves da Fonseca. E eu tinha-me safado. Passei a fazer relatos de futebol.


Entre “Recordar é Viver” e imensos papéis no teatro e televisão, são mais de cinco décadas ligadas à música e à representação, numa vida que sem dúvida dava um filme.

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