Vata

Fui parar ao Benfica, em 1988, porque no fim da época joguei contra eles pelo Varzim, no Estádio Nacional, e empatámos a dois. Marquei dois golos logo no início e foi isso que fez com que me contratassem. Quando cheguei fomos fazer uma tournée na América. Era o Magnusson, Ricky, César Brito, eu era o último avançado. O mais engraçado é que fizemos o primeiro jogo, perdemos e eu estava de fato de treino, nem contaram comigo para jogar. Depois, contra uma equipa da Colômbia, o Ricky estava lesionado, acho que já estávamos a perder 2-0, e o Jesualdo virou-se, olhou para mim e perguntou:
– Qual é a tua posição?
– Jogo à frente.
– Jogas à frente? Estava à procura de avançados, onde é que tu estavas?
– Ó Mister, eu estava aqui sentado com vocês.
Pede-me para entrar e ver se conseguia fazer qualquer coisa. Respondi que ia fazer aquilo que pudesse. Mal entrei, a primeira bola que chutei bateu na barra. Quando o jogo acabou, o Jesualdo diz:
– Estava à procura de avançados que marcassem golos e tu estavas aí sentado e não dizias nada?
– Mister, então o jogador é que vai dizer ao treinador se o pode pôr a jogar?
– Não, é que só jogaste quinze minutos, chutaste à barra, deste um golo a marcar ao Magnusson. Acho que se tens jogado logo de início não perdíamos.
Eu disse-lhe “olhe, estou aqui para trabalhar, quando quiser pode meter-me a jogar”. Na altura estavam à procura de um avançado para jogar ao lado do Magnusson e ninguém olhava para mim como a pessoa ideal para jogar com ele. Tinha vindo de uma equipa pequena e a minha história não era tão grande como a do resto dos jogadores que encontrei no plantel.
Quando voltámos a Portugal já comecei a sentir a confiança do grupo. Começou aquilo de eu entrar e, com a equipa que o Benfica tinha, era mais fácil entrar e marcar. Já ia com 12 ou 13 golos e o Toni diz-me que se houvesse um livre eu tinha de chutar, se fosse penalty, tinha de marcar. Respondi que não precisava disso, livres e penalties quem marcava melhor era o Valdo. E fui na mesma o melhor marcador do campeonato. Saí do Benfica sem marcar de bola parada.
Depois, quando o Eriksson chegou, lembro-me que estava lesionado, não dava mesmo para jogar. Ele liga-me para casa e convoca-me. Cheguei lá e perguntei “Mas porquê? Eu não posso jogar”. Ele respondeu que se eu estivesse ali sentado no banco com ele, sabia que ia ganhar o jogo. Respondi “o que o Mister pensa eu não vou discutir”. E ia, fui duas ou três vezes. Uma delas foi com o Marítimo, a equipa já tinha ido e eu tive de apanhar outro avião à noite para o Funchal. Estava muito mau tempo, mas ganhámos 2-1.
Aconteceram-me muitas coisas boas no Benfica. Foi muito, muito positivo, só tive alegrias. No ano passado estive lá e receberam-me muito bem. Foi excelente encontrar antigos colegas.


Esteve três épocas no Benfica, onde foi duas vezes campeão e venceu uma Supertaça. Actualmente vive na Austrália e continua ligado ao futebol, como director de um clube nos arredores de Melbourne.

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