Vasco Faísca

Já tive várias vezes a oportunidade de escrever sobre episódios engraçados, peculiares ou até desagradáveis que foram acontecendo ao longo da minha carreira de jogador, por isso hoje, para fugir à regra, vou despir a veste de jogador e contar-vos algo dos tempos em que ainda não acumulava a profissão de futebolista com a “profissão” de adepto de futebol que sempre tive.
Esta é uma estória que entrou para a História. O dia em que um clube da II Divisão portuguesa, contra todas as expectativas, chegou à final da Taça de Portugal! Esse é o clube da minha cidade, o clube do meu coração, o Sporting Clube Farense.
Estávamos em 1990, eu era ainda um mocinho de nove anos e nesse dia, como em tantos outros, estava na casa da Dona Laurinda. A Dona Laurinda era uma espécie de tempos livres para onde eu e o meu irmão íamos depois das aulas, visto que os meus pais trabalhavam e durante a tarde não podiam tomar conta de nós. Nessa tarde algo de diferente acontecia, o “nosso” Farense jogava a meia-final da Taça de Portugal em Lisboa, no estádio do Restelo, casa do histórico Belenenses. Todos colados ao rádio para ouvir o relato do jogo, saltámos de alegria quando o falecido Mané fez o 2-1 para o Farense! Minutos depois, o apito final foi o sinal de partida para os festejos na cidade. Íamos à final da Taça de Portugal, no mítico estádio do Jamor! O Farense, uma equipa que naquele momento disputava o campeonato nacional da II Divisão! Inacreditável e ao mesmo tempo mágico!
Nas semanas que se sucederam foi a corrida ao bilhete e muitos foram os preparativos para o grande dia. De destacar o “nascimento” do hino do Farense, reconhecido por muitos como um dos mais belos hinos entre as equipas nacionais.
No dia 27 de Maio de 1990, obviamente, eu, os meus pais e o meu irmão não podíamos faltar! O Farense defrontou na final o Estrela da Amadora, clube que na altura militava estavelmente na I Divisão nacional. O Estrela tinha como sede a Reboleira, estádio situado a poucos kms de distância do Estádio do Jamor, palco da grande final. O Farense, clube da capital Algarvia, a mais de 300 km de distância, apresenta no Jamor uma massa adepta de seguidores nitidamente mais numerosa que a do Estrela da Amadora. Foi o êxodo de uma cidade! Foi uma grande demonstração de amor das gentes de Faro e do Algarve pelo clube da sua terra. Foi a FESTA do FUTEBOL…
O Farense empatou a uma bola após prolongamento e, dias depois, perdeu a finalíssima por duas bolas a zero. Na finalíssima voltou a verificar-se exactamente o mesmo êxodo das gentes de Faro e das gentes do Sul do país, que se sentiam representadas pelo Sporting Clube Farense. Era um grande sentimento de pertença que se respirava no ar.
No final doeu perder, mas não importa, o mítico Paco Fortes e os seus homens entraram não só na História mas sobretudo no coração de todos os Farenses!!
Esta é para mim uma das recordações mais bonitas que tenho ligadas ao futebol e que tive o privilégio de viver e de fazer parte, noutra veste, mas sempre com a mesma paixão por este desporto fantástico!
Um abraço e até morrer… Vamos embooraaa, Farenseeee!!!

Hino do Farense
Do esforço se faz a vitória,
que no tempo nos trará saudade,
duma página bela de história,
escrita p’la nossa vontade.

Com os olhos postos no futuro,
e a grandeza que o sonho nos traz,
mostraremos ao mundo as façanhas,
de que a gente de Faro é capaz.

Cantaremos todos numa voz,
à vitória Farense, à vitória,
içaremos a tua bandeira,
brindaremos em tua memória,
e para as gerações do futuro,
à vitória Farense, à vitória,
nunca mais murchará a semente,
do arrojo, da fama e da glória.

José Romão Bento Ferreira


Formado no Farense e no Sporting, passou por Belenenses e Académica na I Liga, mas fez grande parte da carreira em Itália, onde ainda joga, no ASD Francavilla.

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5 comentários sobre “Vasco Faísca

  1. #nuno tu és pequeno uma vida inteira,o estrela em casa levava 500 pessoas a Reboleira , o Algarve uniu-se para ir ao jamor! Não sabes o k dizes!

    • Tambem ja nao ves o Estrela da Amadora… quando se é pequeno… o clube (estrela da amadora) acaba… o Farense continua cá oh tótó