Valete

A história que eu tenho é sobre o Figo, 1995, creio eu, acho que é o último ano que ele faz no Sporting. Eu era um adolescente e naturalmente idolatrava o grande jogador do meu clube, que era o Luís Figo. Já via muito futebol naquela altura e duvido que em 1995 alguém tivesse jogado mais futebol que o Figo no mundo, duvido. Tinhas grandes jogadores nessa altura, um Romário, um Roberto Baggio, tinhas um Michael Laudrup, Gullit, grandes jogadores, mas do que eu vi, se calhar só o Ronaldo Fenómeno, que na altura tinha uns 18 anos, no PSV Eindhoven, é que jogou mais futebol que o Figo nesse ano. Só que naturalmente o Figo não podia ganhar uma Bola de Ouro, porque jogava em Portugal e não tinha ganho grandes títulos internacionais, então dificilmente ia ganhar uma Bola de Ouro.
Muitas vezes ia assistir aos treinos do Sporting, num relvado que eles tinham ao pé do Estádio de Alvalade. Fui assistir a um treino e no fim havia uma porta, ao lado da porta 10-A, por onde os jogadores saíam. Eles iam para o balneário, tomavam banho e saíam para ir para casa. Estavam lá uns vinte, trinta adolescentes, eu também, à espera dos jogadores. Saiu o Naybet, saiu o Valckx, saiu o Balakov, saíram essas estrelas todas e ficaram lá a dar autógrafos aos miúdos. Eu estava super, super ansioso à espera do autógrafo do Figo. Inclusive, obviamente que também idolatrava o Paulo Sousa, o Balakov, esse pessoal todo, mas eu queria o autógrafo do Figo. Então nem sequer estava a pedir autógrafos, porque estava tão ansioso à espera do Figo que não conseguia estar a perder tempo com os outros.
Fiquei à espera, o Figo é dos últimos a sair, vê aquelas crianças todas, adolescentes e não só, à espera de autógrafos e ele, sorrateiramente, passa assim juntinho à grade que estava encostada à parede. Ele pega na grade, desvia-a e foge! Eu ainda chamo “Figo, Figo” e ele fugiu. Foi um momento de super desilusão para mim. Eu ansiosíssimo, à espera de receber um autógrafo do meu ídolo, que provavelmente iria guardar até hoje e o meu ídolo desprezou completamente aqueles adolescentes que esperavam por ele.
Foi uma história bem marcante para mim, como criança, e também reveladora do que é esta coisa de ser estrela do futebol e de um distanciamento natural, ou não, que criam com as pessoas que os idolatram. E muitas vezes sendo eles próprios ainda jovens, quase adolescentes também.


Não edita um álbum desde 2006, mas “Educação Visual” e “Serviço Público” foram tão marcantes que ainda continua a dar concertos. Agora está a chegar um novo single, “Rap Consciente”.

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2 comentários sobre “Valete

  1. Amigo, se tivesses esperado com uma nota de 5 contos na mão, tinhas conseguido o autógrafo do Figo. Lamentável…

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