Tony

Macacadas há muitas, mas histórias de futebol mesmo tenho uma que me marcou muito no Paços de Ferreira. Recebemos o Estoril, estávamos empatados 1-1, o jogo parou por causa do nevoeiro quando faltavam oito minutos e jogámos esse período no dia a seguir. Em oito minutos ninguém pensa em mudar nada. O treinador era o Paulo Fonseca e nesse dia fomos fazer o aquecimento no campo de treinos, que se baseou numa jogada estudada para chegar ao golo. E em oito minutos, aquilo que trabalhámos no próprio aquecimento, uma transição rápida, acabámos por surpreender o Estoril e fazer o golo pelo Manuel José. Foi um momento que me marcou muito porque ali notou-se realmente o trabalho feito de casa.
Agora sou treinador e admiro cada vez mais este trabalho. As pessoas nem imaginam. Querem ver 22 gajos atrás de uma bola, um árbitro a apitar, mas não fazem ideia de tudo o que está por trás. Foi nessa época que conseguimos a qualificação para a Liga dos Campeões, num clube como o Paços. Tinha ganho títulos na Roménia, jogado na Liga dos Campeões, mas senti-me muito mais feliz e valorizado com esse terceiro lugar do que ter sido campeão pelo Cluj. Aquele terceiro lugar equivaleu a um título de campeão. Tínhamos um grupo muito forte, muito unido, com uma enorme vontade de ganhar.
Raramente fiz golos na minha carreira, mas até fiz um ao Sporting nesse ano! Ainda por cima foi engraçado porque estava 0-0, faltavam uns 10 minutos e há um livre descaído para o lado direito, até foi o Josué que o bateu. Lembro-me de que estava à entrada da área e o Paulo Fonseca a mandar-me para trás para não sofrermos um contra-ataque. Se empatássemos deixávamos o Sporting fora da corrida pelo terceiro lugar, só ficávamos nós e o Braga, mas claro que seria melhor ganhar. O Fonseca mandava-me para trás, eu dizia que não ia e ele a mandar vir comigo! O Josué bate o livre, a bola bate no poste, e eu na recarga fiz golo de cabeça. Naquele dia deu-me para subir.
Sempre fui um jogador de equipa, não era vistoso no sentido de fintar ou de fazer golos, era mais de ganhar na raça. Nunca fui um Ronaldo ou um Quaresma, mas dava sempre tudo o que tinha dentro de campo. Fui profissional durante 17 anos e foi sempre a minha imagem, à base de trabalho, espírito colectivo e sacrifício. Foi assim que fiz carreira.


Como jogador representou Sandinenses, Chaves, E. Amadora, Cluj, V. Guimarães, Paços de Ferreira e Penafiel, onde terminou em 2015. É o treinador-adjunto do Freamunde.

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