Teófilo Fernando

Quando tento encontrar “aquela” história… passo em revista o percurso profissional, levando-me sempre a associar cada acontecimento a pessoas fundamentais para a minha caminhada.
Começo pelos padrinhos: Carlos Daniel e Bernardino Barros.
Um pouco receoso e ao mesmo tempo deslumbrado, no antigo Estádio das Antas, foi com eles que fiz a minha estreia na TSF, como repórter de pista.
Colete vestido e equipamento às costas, também levei para o relvado um aviso do Carlos Daniel, “miúdo, bom trabalho e livra-te no final do jogo de perguntar aos treinadores como viram o jogo, isso toda a gente vê igual… com os olhos, faz perguntas de jeito”.
Primeira lição. As outras surgiram com a mestria do relato do Carlos Daniel, da sua paixão e conhecimento pelo futebol. Fiz um “mestrado” ao acompanhar o bom amigo “Calica”.
Desses tempos e até agora fica também uma estima profissional e pessoal por quem tão bem me recebeu e orientou. Falo do Bernardino Barros. Que prazer futebolístico ter iniciado o meu percurso com estes dois senhores. Futebolístico e… gastronómico – “vocês sabem do que eu estou a falar”.
Ainda dos meus primeiros tempos, na TSF, guardo para sempre a arte de saber ser director, na pessoa do David Borges.
Da absoluta originalidade do relato Jorge Perestrelo, que saudades.
Após uma década de TSF, em 2003, surgiu a oportunidade de transferência para a Antena 1.
Para a despedida, um cenário requintado: Mónaco.
Ao lado do João Ricardo Pateiro, “um irmão da Rádio”, fizemos a Final da Supertaça Europeia, jogo entre o Futebol Clube do Porto e o AC Milan.
Nas voltas que a vida dá, e passaram 13 anos, o destino permitiu um feliz reencontro. Com o Pateiro, é “até ao fim da rua e é até ao fim do mundo”.
Neste regresso à TSF, destaco ainda alguém por quem nutria forte admiração pessoal e profissional, é o caso do Manuel Costa Monteiro.
O meu pai era um ouvinte fiel dos relatos do “Quadrante Norte”, onde se destacava a clarividência vocal, vincada adjectivação e bailado das frases do Costa Monteiro. Tanto anos depois é encantador fazermos parte da mesma equipa. Ainda no campo dos comentadores, tendo igualmente um manancial de sabedoria, admiração e sendo um gentleman, uma palavra de apreço para o Joaquim Rita. Estivemos juntos no Mundial Alemanha/2006, acompanhados por outra das pessoas com quem tive tanto gosto em trabalhar, o “Matinhos”. O Nuno Matos, para além de um energético, cativante e empolgante relatador, é um camarada com quem tive o privilégio de fazer milhares de quilómetros, por exemplo no Mundial 2006 e no Europeu 2008, na Suíça, sempre garantida a boa disposição e profissionalismo.
Pausa no jogo para falar de uma modalidade que sempre admirei, que me permitiu as mais variadas e incríveis experiências profissionais, o ciclismo. Com 15 Voltas a Portugal “pedaladas”, desde logo uma palavra para o “irmão Vieira”. O Joaquim Vieira fazia parte da Volta, era reconhecido em toda a parte e por todos respeitado. Ficou um vazio difícil de explicar e sentir.
Ainda nesta modalidade, a minha vénia para o Marco Chagas. Que honra já ter tido a sua companhia em comentários para a TSF e recentemente voltar a trabalhar ao lado do “Senhor Ciclismo” em outras experiências profissionais.
De todos guardo forte admiração. De todos recebi tanto do que sei hoje.
E voltando à casa de partida, nunca mais vou esquecer o dia em que entrevistei Johan Cruiff, um dos mais brilhantes jogadores e treinadores de futebol de sempre.
Foi em Guimarães, num Vitória/Barcelona. O micro tremia, foi uma sensação incrível. Ficou a certeza… o caminho a seguir era aquele, e no caminho tenho encontrado pessoas admiráveis e determinantes para o meu percurso.
Felizmente que neste caso o plantel é bem grande. E os amigos são muitos. São o melhor desta vida.
11 + 11 + 11 + 11…


São mais de três décadas na rádio, numa estreita relação com o desporto, área a que felizmente dedicou a sua originalidade e talento, deixando uma marca positiva em todos os que um dia o ouviram.

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