Silas

Fui para o AEL em Janeiro de 2011. Normalmente no Chipre entram cinco jogadores em Janeiro e têm de sair cinco. Como lá havia limite de estrangeiros e eles tinham, salvo erro, 17 estrangeiros, entrámos cinco e tinham de sair cinco. Um dos que saiu foi o Ndikumana, um jogador do Ruanda. Ainda estive com ele uma ou duas semanas. Alguns africanos ligam muito a bruxaria e coisas assim do género e o Ndikumana era um desses casos. Eles queriam rescindir com ele, ele não queria, houve ali um conflito, como há na maior parte destes casos, e ele virou-se para o vice-presidente e disse-lhe:
– Eu vou-me embora mas vocês não vão ganhar mais nenhum jogo. Vou fazer macumba e vocês não vão ganhar mais nenhum jogo!
Depois de fechar o mercado, o meu segundo jogo pelo AEL foi com o Anorthosis, fora. Antes do jogo, ele mandou uma mensagem ao vice-presidente, que era o mister Yappas, com quem ele tinha tido aquela conversa, e disse-lhe:
– Hoje vão perder 3-0.
Começa o jogo e eles pumba, 1-0. O Ndikumana pega no telefone e manda um SMS ao Yappas.
– This is to start.
Eles fazem o 2-0, ele pega no telefone e manda outra mensagem ao vice-presidente:
– It will not stop from here.
Eles fazem o 3-0 e ele diz:
– I warning you.
Só que entretanto eles ainda fizeram o 4-0 e ele mandou outra mensagem:
– This is bonus.
Foi muito engraçado porque depois o vice-presidente mostrou-nos as mensagens todas. Acabámos por não perder os jogos todos, como ele dizia, mas perdemos muitos, acho que ficámos em oitavo. Só na época seguinte é que fomos campeões.


Internacional português, jogou em Espanha, Inglaterra, Chipre e Índia, além de ter sido figura em muitas das equipas nacionais que representou, com destaque para Belenenses e U. Leiria.

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