Salvador Sobral

Na final do Euro’2004, estava Portugal completamente louco por estar na final de um Euro, e milagrosamente, não sei como, o meu pai conseguiu bilhetes para irmos ver o jogo. Estádio da Luz completamente cheio, quando chegámos lá percebemos que os lugares eram separados. Tinha 15 anos, fiquei num sítio e o meu pai noutro. Tudo bem. O jogo foi uma desgraça, fiquei super triste.
No final do jogo o meu pai estava a ligar-me, não se ouvia nada, e ele diz-me que ia ficar ali para a festa. E eu: “estás-te a passar? Acabámos de perder com estes gajos e tu queres ver os gregos a fazer a festa? Estás completamente doido, nem pensar!” Estava revoltado com aquilo tudo e ele queria ficar a ver a festa. Obriguei praticamente o meu pai a sair do estádio.
Saímos, agarrei na bandeira e no cachecol e foi tudo para o contentor do lixo. Chorava sem parar, num desespero total. Sofri imenso com aquilo, não conseguia parar de chorar. Claro que no dia a seguir estava bem e não parei de apoiar a Selecção, mas aquele dia foi mesmo muito triste. Estivemos quase lá, ainda por cima em casa. É a história mais marcante que tenho ligada ao futebol, um episódio que nunca mais esqueci.


Em 2009 brilhou no programa Ídolos, estudou jazz em Barcelona, regressou e em Março lançou o primeiro disco, intitulado Excuse Me. Uma das vozes mais brilhantes da música nacional.

Foto: Anabela Carreira

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