Salvador Agra

No Braga, quando o treinador era o Sérgio Conceição, na recta final da época 2014/15 já tínhamos atingido a final da Taça de Portugal e o quarto lugar estava praticamente garantido. Faltavam quatro ou cinco jogos e tínhamos uns dez pontos de vantagem sobre o Vitória, mas as coisas não estavam a sair bem. Íamos perdendo e empatando e o Guimarães cada vez mais perto de nós.
Numa manhã, chegámos ao estádio e vieram informar-nos que tínhamos uma reunião. O mister entrou no balneário com a equipa técnica, começa a cumprimentar todos, tudo em silêncio e ele com uma alegria enorme. Achámos aquilo um bocadinho esquisito. Ele às vezes fazia isso, mas naquele dia estava com uma alegria enorme na cara e nós à espera para ver o que ia sair dali. Propôs-nos fazer alguma coisa que nos animasse para mudarmos os resultados e garantir o quarto lugar. Então perguntou-nos se confiávamos nele e se concordávamos fazer esse tal trabalho, que era para o bem de nós todos. Concordámos, ele não nos disse o que era, e no fim do treino chegou à nossa beira e disse:
– Amanhã toda a gente aqui às seis da manhã.
Ficámos todos a olhar uns para os outros e a achar estranho.
– Vocês concordaram, não foi?
– Sim, concordámos.
– Então amanhã toda a gente aqui às seis da manhã.
No dia a seguir chegámos lá às seis da manhã. O trabalho era para duas semanas: para essa semana, do jogo com o Setúbal para o campeonato, que tínhamos de ganhar para ficarmos no quarto lugar, e também para a final da Taça. Chegámos lá e o que era? Uma sessão de coaching, que por acaso foi com a Susana Torres. Quem conseguiu trabalhar muito bem isso foi o Eder, juntamente com o mister. Fizemos os trabalhos com a Susana e quando chegámos ao jogo com o Setúbal ganhámos 5-0, depois de vários jogos sem vencermos. Achámos aquilo muito bom, nunca pensámos que as coisas fossem mudar em tão pouco tempo.
Depois acabámos por perder a final da Taça de Portugal contra o Sporting, num jogo em que estávamos a ganhar 2-0 a seis minutos do fim e depois perdemos nos penáltis. Acontece, é futebol. Mas queria realçar a visão do Sérgio Conceição, que procura sempre melhorar e inovar. Desde então vou falando com a Susana, ficámos grandes amigos e ela ajuda-me imenso.
Conto isto porque estávamos a fazer uma grande época e, de um momento para o outro, tivemos alguns jogos que não foram tão bons. Então o mister surge com este trabalho de coaching, que se calhar muito gente não acreditava e hoje a maior parte dos jogadores de futebol acredita porque é fundamental. A Susana foi muito importante para nós, mas se não fosse o Eder e o mister a quererem mudar alguma coisa ia ficar difícil. Abdicávamos de dormir algumas horas para conseguir ter bons resultados. Ficou na minha cabeça porque foi fantástico e foi uma surpresa enorme, ninguém estava à espera.


Fez a formação no Varzim, “explodiu” no Olhanense e assinou pelo Betis. Lá fora jogou ainda no Siena e por cá representou Académica e SC Braga antes de chegar ao Nacional.

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