Ricardo Esteves

Entre muitas histórias da minha carreira como jogador, recordo-me de uma no Campeonato do Mundo de Sub-20, na Nigéria, em 1999. Nos quartos-de-final, contra o Japão, estávamos empatados 0-0 a 15 minutos do apito final do encontro. O Sérgio Leite, o nosso guardião, sofreu uma entrada dura, fracturou a clavícula e foi obrigado a sair. Nós já tínhamos feito todas as substituições e, desde logo, ofereci-me para ir para a baliza.

Recordo-me de vestir a camisola de guarda-redes, de calçar as luvas e ouvir na bancada as palmas e os gritos de incentivo dos adeptos nigerianos à nossa Selecção e a mim. Joguei os últimos 15 minutos, mais os 30 minutos do prolongamento. Durante esse tempo, que parecia uma eternidade para mim, fiz algumas defesas, mas tive a ajuda dos meus companheiros, que foram incansáveis e deram poucas hipóteses à selecção nipónica para rematar mais vezes à baliza.

Terminado o prolongamento fomos à decisão nas grandes penalidades e aí pensei que se já tinha sido difícil estar 45 minutos na baliza sem experiência nenhuma, então nas grandes penalidades estaríamos em clara desvantagem. Mas nunca deixei de acreditar que era possível defender um penálti ou até mesmo que a selecção japonesa falhasse o alvo e que poderíamos ganhar e passar à fase seguinte. Por muitas indicações, ajudas e incentivos dos meus treinadores e colegas, não consegui defender nenhuma penalidade. Saímos derrotados com uma desvantagem de cinco penáltis marcados por parte do Japão e nós falhámos duas.

Senti uma grande desilusão por termos perdido, por não passarmos à fase seguinte e por não ter conseguido ajudar a nossa Selecção, mas senti que tinha dado tudo em campo e pela nossa Pátria.


Campeão europeu de Sub-16, chegou a coincidir com José Mourinho no Benfica mas fez boa parte da carreira no estrangeiro: Itália, Grécia, Coreia do Sul e China.

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