Renato

Estava no Estrela da Amadora, mais ou menos em 1995, e o treinador era o Fernando Santos. Na altura só havia botas pretas e eu tinha um patrocínio da Adidas, que lançou as primeiras botas de cor. As minhas eram brancas, mas mais ninguém tinha de cor. Apareci no treino com elas, cheio de estilo, vira-se o Fernando para mim, depois de me ter mirado de alto a baixo:
– Ó menino! Botas brancas? Estás cheio de estilo!
Eu não liguei muito e continuei a usá-las. Para meu espanto, comecei a ir para o banco, mas não me ocorreu nada que não fosse opção dele.
Num belo dia de jogo contra o Salgueiros, ainda antes da palestra, estava eu a pedir o material ao roupeiro e vem o adjunto dele, o Rosário, falar comigo.
– Ó Renato, não tens outras botas para jogar?
Porque todos jogavam de botas pretas. E eu respondi que sim.
– Então não jogues com as brancas e joga com as pretas.
Eu fiquei espantado porque pensava que ia para o banco por opção e que nada tinha a ver com as botas brancas. A partir daí comecei a jogar novamente, inclusive nesse jogo, mas sempre com as botas pretas. As brancas ficaram para alguns treinos (poucos) e as pretas sempre.
Hoje já não acontece isso porque as botas pretas caíram em desuso e cada vez mais há mais cores para se utilizar.
E tenho outro episódio engraçado, que tem a ver com a foto. Apostei com o Rebelo que se não perdêssemos contra o Marítimo pintávamos o cabelo de louro. E fomos empatar aos Barreiros.
Na semana seguinte, como tínhamos apostado, apareci de louro e ele nada. Menino…. Não cumpriu a promessa! Passado umas semanas, depois de o chatear, apareceu com o cabelo pintado de caju, tipo bordeaux, que mal se notava a cor. Fraquinho. Teve medo de pintar.


Depois de se destacar com muitos golos pelo Alverca na II Divisão B, chegou ao principal escalão por via do Estrela da Amadora e, mais tarde, representou também o Belenenses entre os grandes. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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