Paulo Garcia

Existem momentos na nossa vida profissional que nos marcam para a vida. E que nos fazem crescer fundamentalmente como homens!
Há uns anos ainda no Alvalade antigo, e ao serviço da Rádio Comercial, tinha como trabalho de reportagem acompanhar a chegada da comitiva do FC Porto ao estádio.
A confusão do costume, os assobios, tudo o que encerra a chegada de um rival, mas a tarde reservava-me um teste à minha capacidade enquanto repórter, mas mais do que isso; à minha resistência perante o drama. De repente e já em pleno directo, um som estranho, mórbido, silencioso, me desperta a atenção. Sem que nada o fizesse prever, à minha frente, caíam adeptos uns por cima de outros. A varanda cedeu!
A queda só era abafada precisamente por isso; porque caiam uns por cima de outros. Sem que se percebesse de imediato o que estava a acontecer, fica-me para sempre a imagem do médico do FC Porto Domingos Gomes, debaixo de uma chuva de pedras vindas de cima e que visavam atingi-lo, tentar salvar o impossível. Do drama de Reinaldo Teles, angustiado e aterrorizado tentando perceber se naquele monte de corpos estava o seu filho sportinguista, e da minha impotência para responder àquilo que via. Chamado a relatar o que estava a ver bloqueei… as palavras não saíam. Não fui capaz. Faltou-me mais do que competência… coragem!


Iniciou a carreira na Rádio Comercial, onde também fez relatos desportivos. Mas foi na SIC Notícias, como pivô de O Dia Seguinte, que se tornou um rosto familiar para os amantes do futebol nacional.

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