Marco Rodrigues

Nasci em Amarante e quando cheguei a Arcos de Valdevez, que é a terra do meu pai, aos oito anos, como sempre gostei de jogar futebol e sempre fui um puto que jogava na aldeia com farrapos e sem sapatilhas, o meu pai inscreveu-me na equipa da vila, que é o Clube Atlético de Valdevez. Estive um ano nos infantis e dois nos iniciados. O meu pai também era amigo do presidente de um clube que era

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Douala

Às vezes dizem que o amor pela camisola ou pelo futebol é mais importante do que o dinheiro, mas é mentira. No Verão de 2005, os ingleses do Middlesbrough estavam loucos para me contratar e chegaram a fazer uma proposta de oito milhões de euros ao Sporting. As duas partes chegaram a acordo, mas a única pessoa que não quis ir para lá fui eu. Estava feliz no Sporting e em Lisboa com a minha família, queria jogar a Liga dos Campeões e ir ao Mundial com a Selecção camaronesa.

Os ingleses fizeram tudo para me convencer, pediram a algumas figuras do futebol português e camaronês para me ligar e até tentaram conversar com a minha ex-mulher. Queriam pagar-me o dinheiro que quisesse e dar-me quatro anos de contrato, mas a minha cabeça estava no Sporting. No final, fomos eliminados pela Udinese na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, os Camarões falharam o apuramento para o Mundial e, alguns meses depois, dispensaram o Peseiro, um treinador que me dava uma confiança total.

No final da época de 2005/06 o Middlesbrough ainda me queria mas, o treinador que me queria mais que tudo, o Steve McLaren, saiu e, um dia antes de ir lá assinar com eles, entrou outro treinador, que tinha outro jogador na cabeça. Fiquei sempre marcado por esta oportunidade ter sido recusada. A partir deste episódio andei de empréstimo em empréstimo. Às vezes até choro a pensar nisto, era o contrato da minha vida. Tenho a certeza de que se tivesse aceitado aquela proposta a minha carreira teria outro final muito mais feliz.


Jogou apenas duas épocas no Sporting, que acabou por emprestá-lo ao Portsmouth. Depois passou por Saint-Étienne, Asteras Tripolis, Plymouth e Lierse, onde terminou a carreira profissional.

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Guilherme Duarte

O ano era o de 1999, tinha eu 15 anos. Nunca fui muito de ir ao estádio, acho que se contam pelos dedos das mãos as vezes que me sentei nas bancadas dos estádios do Sporting. Sempre achei que ver futebol sem repetições era parvoíce, porque assim não me posso queixar dos árbitros com propriedade. Desta vez lá fui, com o meu pai, assistir à 10ª jornada do campeonato nacional, ver os

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Carlos Saleiro

Estávamos em 2003, tinha 17 anos. Em Maio, em Viseu, fui campeão europeu de Sub-17 por Portugal. Nessa mesma época fui promovido à equipa B do Sporting. Na altura era o jogador mais jovem nesse plantel. Mais tarde, em Novembro, sou pela primeira vez convocado pelo mister Fernando Santos para um jogo amigável pela equipa principal do Sporting, que tinha em disputa a Taça da cidade de

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Pedro Sousa

Comecei muito cedo na arte de relatar um jogo de futebol. Chamo-lhe arte propositadamente, porque muitos podem tentar, mas poucos o conseguem fazer com qualidade insuspeita. Aos 17 anos já tentava lá chegar, no advento das chamadas rádios piratas, mas só aos 18 anos, em 1986, o comecei a fazer com alguma regularidade, semana atrás de semana, relatando os jogos do Torreense, o clube

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Bock

Quando estava nos juniores do FC Porto, dias antes de um jogo contra o Sporting para decidir o título de campeão, fizemos uma partida a um colega que chegava sempre tarde: pusemos um balde de água em cima da porta, sabíamos que ele mal abrisse a porta ia levar com a água em cima porque vinha sempre com pressa. O curioso é que em vez de ser esse meu colega a chegar em cima da hora, eram

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Inês Meneses

Foi há muitos anos, mais de 30. Estávamos na Boavista, naquela avenida que nunca mais acaba. O meu tio passeava-nos na rotunda a pé e fomos andando – nem eu me lembro que dia especial seria aquele para eu estar no Porto e ter deixado a aldeia. Nesse dia, o meu tio levou-nos a visitar a campa de Pavão no cemitério de Agramonte. O meu tio boavisteiro, aquele que deixou de visitar um dos filhos

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Forbes

Quero começar por esclarecer o meu apelido. Era Forbs, mas quando recebi a nacionalidade Portuguesa meteram um “E” e agora escreve-se Forbes. Quando vim para o Bombarralense ainda trabalhei uma semana como pintor de automóveis e conciliava com o futebol. Comecei na III Divisão e em duas épocas já estava no Sporting. Vinha com vontade de vencer e tinha a adversidade de ser

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João Carlos Cunha

Um dos dias de bola que mais me marcou foi o dia 14 de Dezembro de 1986. Era perto do Natal, mas já na altura o país quase parava para assistir ao maior dérbi do futebol português. O Sporting recebia o Benfica, num estádio com quase 75 mil pessoas e com uma mancha vermelha que pontuava o verde e branco das camisolas, bandeiras, fumos e cachecóis dos sportinguistas. Estava lindo, o antigo

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Basaula

Esta história passa-se no final da primeira época em que estive em Guimarães. Naquela altura só podiam jogar dois estrangeiros e no Vitória éramos três logo no meio-campo, tinham sempre de optar. Quis sair, até porque houve um atraso na minha preparação, mal cheguei tive uma úlcera e fiquei um mês no hospital. Perdi o comboio em relação aos outros. Era segunda opção, até entrava muito, mas

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Nilton

Serei talvez o único português que não tem clube. Hoje os árbitros vestem cores fluorescentes, parece que tiveram um desastre ou que o carro avariou e tiveram de vestir o colete, mas durante muito tempo encarei o árbitro e o futebol um bocadinho como a tourada: sempre torci pelo que veste preto. E não tendo clube era a única pessoa em Portugal que verdadeiramente saboreava o futebol porque conseguia

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Manuel José

Tenho uma história num Benfica-Belenenses. Jogava no Belenenses emprestado pelo Benfica. O Benfica ia jogar contra o Vasas de Budapeste para a Taça dos Campeões Europeus e pediu ao Belenenses para antecipar o jogo do campeonato, porque naquela altura era preciso a anuência do adversário. E queriam antecipar para sábado porque o Benfica jogava na quarta-feira seguinte com o

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Lourenço Beirão da Veiga

Tenho uma história de quando era puto, tinha uns 14 anos. Estava no meu primeiro ano de karts e houve uma corrida no kartódromo de Évora para a qual me chamaram. E iam os consagrados todos da altura, como o Lamy e a malta que estava a correr no estrangeiro. Eu era um puto, ninguém dava por mim, aquilo era só uma corrida e acabei por ganhar. No final, o António Nicolau, um jornalista que já

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Rudi

Quando cheguei a Chaves não sabia falar Português nem Inglês, era difícil. Sempre que íamos jogar a algum lado, nas refeições ficávamos quatro jogadores numa mesa. Como Portugal é conhecido pelo vinho, punham sempre uma garrafa de vinho verde por mesa. Nunca tinha bebido vinho na vida, não gostava, e todos os jogadores me chamavam: “Rudi, vem sentar-te connosco.” E eu sentia-me bem,

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Jel

Estava em Marrocos, em Chefchaouen, a gravar o documentário Dia de Jogo, que teve uma ante-estreia na SIC. Estamos agora a inscrevê-lo para festivais e temos uma distribuidora americana que vai metê-lo aí no circuito dos documentários. Passámos lá muitas semanas e num desses dias o Sporting jogava para a Champions, acho que foi com o Schalke.

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Sabugo

Estava eu no meu Campomaiorense, na época 1998/99, clube que jamais esquecerei pelas pessoas que conheci e também por ter sido a minha estreia na primeira divisão nacional. Tínhamos uma grande equipa dentro e fora do campo. O nosso treinador era o mister José Pereira, que tinha ficado no lugar do mister João Alves. O jogo no fim de semana era contra o Benfica, no antigo estádio da Luz, e na 4ª

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Hugo Sousa

Estava eu num café a assistir ao Portugal-Roménia a contar para o Euro 2000, um jogo emocionante mas o resultado estava nulo e Portugal precisava de ganhar para se apurar para os quartos-de-final. Perto dos 90 minutos, Humberto Coelho lança Costinha no jogo e toda a gente pergunta: “Costinha?!!! A precisarmos de marcar e ele mete o Costinha??” O Costinha, além de não ser ponta-de-lança,

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Tozé Marreco

Sabia que ia ser pai em breve. O médico sabia da minha vida e que eu não queria faltar a nenhum jogo nem a nenhum treino, então queria encontrar um dia que não entrasse em conflito com o calendário do Tondela. Ele disse que, como estava tudo ok, não havia qualquer problema e dava para gerir. Então, na última semana de 2014, fui ter com o meu treinador ao balneário para falar sobre o nascimento do meu

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Viviane

Confesso que nunca tive grande entusiasmo pelo futebol embora tivesse vivido 13 anos da minha vida ao lado do estádio do O.G.C. Nice, no sul de França, onde nasci. Vim depois para Portugal onde me dediquei à música longe dos relvados, à excepção dos vários concertos em Alvalade a que fui assistir nalguns casos e noutros em que tive a honra de participar com a minha banda “Entre Aspas” como,

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Manuel Fernandes

Num jogo na Madeira, com o Marítimo, Noémio, jogador dos madeirenses, teve uma entrada violenta sobre o Ademar. Como capitão, fui pedir satisfações ao jogador, dizendo-lhe que devia fazer isso era em Alvalade, o qual me respondeu ainda com mais agressividade, afirmando: “dou-te aqui, dou-te em Alvalade e se for preciso vou a tua casa e dou-te mais!”.

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