Padrão

Numa viagem muitíssimo atribulada de Nova Iorque para Toronto, ia nas cadeiras do lado direito, tendo o meu querido amigo Raul Águas nas cadeiras do lado esquerdo com um padre na coxia e o Raul Águas ao meu lado com o corredor a separarmo-nos. Estávamos no Chaves e ele era o meu treinador. Começou por ser uma brincadeira, o treme-treme do avião. Eu dizia para o Raul Águas “tu é que vais bem com o padreco aí ao lado. Agarras-te ao hábito do padre e vais directo ao céu”.

A turbulência aumentou e as gracinhas passaram a ter uns quantos palavrões dos fortes pelo meio, nunca esquecendo a sorte do Raul Águas por ter um padre ao lado. Padre chinês, pelo menos a sua pele amarela e os olhos rasgados assim indicavam. O Raul Águas ia fazendo umas caretas que eu achava serem do medo que todos estávamos a sentir.

Passada a enorme turbulência, lá fui ao WC. No regresso, vejo o Raul Águas em grande conversa com o tal padre chinês, que tinha nascido em Macau. Era filho de pai português e tinha vivido 20 anos em Portugal, falando correctamente o português. Sorte as janelas do avião não abrirem, senão tinha-me jogado com a vergonha de tanto palavrão e referências ao padreco!


Começou na baliza do Desp. Beja, em 1975, numa carreira ao serviço de doze clubes, que terminou no Olhanense, em 1996. Apesar de jogar pouco, venceu Campeonato, Taça e Supertaça pelo FC Porto.

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