Nuno da Câmara Pereira

Fui eu o criador da “finta”, hoje conhecida por “finta Cristiano Ronaldo”. Sim, fui eu! Sempre desejei e amei jogar futebol. Éramos muitos os amigos e, com meus dois irmãos mais velhos, vivíamos sempre empolgantes momentos após irmos assistir em Évora, onde vivíamos, aos fantásticos desafios entre o Lusitano de Évora e outras equipas da I Divisão. Juntavamo-nos no bairro onde vivíamos e entre todos constituíamos equipas ad-hoc, sem compromissos.
Foi aí, nesses imensos treinos e desafios com maior ou menor discussão pela razão ou incompetência, que cada um foi desenvolvendo suas artes neste desporto, cada vez mais global e harmonioso entre os diferentes povos. “Inventei” então, já la vão bem 50 e tal anos, essa tão famosa “finta” conhecida mundialmente e que fez do nosso Cristiano o melhor do Mundo.
Porém, nunca a consegui realizar, com muita pena minha… Com as pernas e os pés de um lado para o outro, fazendo um parafuso e torcendo-as como a uma toalha após o banho, ensarilhava-me de tal forma que, fintando-me a mim próprio, quase sempre me estatelava de costas e ao comprido pelo chão. Escusado será dizer que por vezes, e não eram poucas, os adversários estalavam a rir e eu, em fúria desalvorada, logo me vingava nas canelas dos mesmos, muitas vezes acabando em forte discussão pela penalidade merecida e nem sempre por mim consentida.
Vim algum tempo depois, a conselho dos meus amigos, a mudar de táctica e passando a jogar à defesa jamais permitiria que a bola e o adversário pudessem alguma vez passar os dois ao mesmo tempo. Era demais para mim, intrépido jogador.
Vim a acabar bem cedo e prematuramente minha carreira, pois os meus adversários, e até amigos, acharam por bem apenas me admitirem como árbitro, de qual função me vim mais tarde a fartar. Não era para mim, intrépido jogador. Não merecia tal “sorte”!
E o futuro veio a dar-me razão… Cristiano Ronaldo, plagiando-me, hoje é a prova viva que a “incompreensão e o ciúme” são o pior sentimento que alguém pode sofrer na caminhada pelo êxito que eu, então bem procurando (sem jeito algum), não consegui ultrapassar e fizeram-me depois sagrar cantor português.


Não singrou no futebol mas destaca-se como fadista e tem um novo álbum na calha, intitulado “Belmonte, Em cantos mil”, que será lançado no dia 20 de Outubro. Facebooktwitterlinkedinmail

Um comentário sobre “Nuno da Câmara Pereira

  1. Relato vivo de uma vivência cheia de vida sadia e feliz. Uma juventude brilhante de um “Principe”… sem “peneiras”e bem Lusitano. Bem haja pela forma como expressa esta vivência que é de todo LINDA E ÚNICA. Grande abraço Amigo, quanta honra tenho se fazer o favor de ser meu amigo. Grata. Gosto muito de Si, com todo o respeito. É ÚNICO.
    Doroteia Vasconcelos

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