Nilton

Serei talvez o único português que não tem clube. Hoje os árbitros vestem cores fluorescentes, parece que tiveram um desastre ou que o carro avariou e tiveram de vestir o colete, mas durante muito tempo encarei o árbitro e o futebol um bocadinho como a tourada: sempre torci pelo que veste preto. E não tendo clube era a única pessoa em Portugal que verdadeiramente saboreava o futebol porque conseguia viver aquilo de outra forma. E acho curioso quando as pessoas me perguntam “de que clube é que és?” e respondo “não tenho clube.” “Ah, está bem, está bem, não queres dizer.” Como se tivesse 15 anos e estivesse a dizer aos meus pais que tinha apanhado uma bebedeira. Como se tivesse algum problema em dizer que tinha clube. E há uma coisa curiosa: quando ponho uma piada no Facebook que lese o Sporting sou benfiquista, quando ponho uma piada que lese o Benfica passo a ser sportinguista. E outras vezes sou do Porto… Tenho sempre conotações. Temos de ter uma tendência política ou um clube, nós fechamos muito as coisas assim.
A história mais engraçada que tenho com o futebol, e o engraçada é entre aspas, aconteceu quando fazia um programa para a SIC que era o K7 Pirata e a minha personagem fazia umas entrevistas assim um bocado disparatadas. Então pedimos autorização para ir filmar no camarote presidencial do Estádio da Luz e andámos ali a fazer umas perguntas tolas até que encontro o presidente do Benfica e pergunto-lhe coisas como “quantos benfiquistas leva este estádio?”. Ele disse lá o número e às tantas pergunto: “então e pessoas?”. Ele não reparou que estava a gozar e respondeu: “é igual, leva a mesma coisa.” Entretanto há um senhor que vem ter comigo e diz: “ó Nilton, você tem de filmar é ali atrás daquela porta. Está ali toda a gente, até o Eusébio.” Chamei a minha realizadora, a produtora, o câmara e lá fomos todos contentes para a porta que o senhor nos indicou. Ia mesmo todo contente a pensar: “epá, vamos entrevistar o Eusébio, isto vai ser brutal!” Quando passámos a porta estava um segurança à nossa frente e pensei “já foste.” Fomos expulsos do estádio! Aquilo tinha saída para a rua, já não conseguimos voltar a entrar. Não é que não o merecesse, atenção, obviamente que merecia, mas achei piada à forma cordial como me puseram a andar. E foi com uma simpatia tal que acho que não foi a primeira vez que o fizeram.


Entre livros, DVD e espectáculos ao vivo, tem ainda tempo para apresentar um programa de rádio na RFM, além de o podermos ver na TV em 5 para a meia-noite.

Foto: Carlos Ramos

Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

Deixe um comentário