Neca

Quando fui para a Turquia, no meu primeiro estágio fiquei com um jogador turco. Para aí às cinco da manhã senti uma pessoa a andar no quarto e acordei um pouco assustado. Foi quando vi que ele tinha estendido o tapete para rezar. Eles têm umas horas marcadas para rezar e foi assim um pequeno choque para mim porque nunca me tinha acontecido. Foi uma coisa estranha. Depois o clube teve alguma atenção e normalmente metia sempre estrangeiros juntos para isso não acontecer.
À sexta-feira eles têm de ir à mesquita a uma certa hora. Uma vez o treino estava a ser um bocadinho longo e os jogadores pediram ao treinador para acabar o treino porque tinham de ir rezar. São muçulmanos e sabemos como a religião é importante para eles.
E quando íamos para estágio tínhamos de parar sempre nalguma mesquita para eles irem rezar. Havia sempre esses contratempos e nós, os estrangeiros, ficávamos no autocarro à espera que eles viessem. Mas habituámo-nos e já era uma coisa normal.
Depois tive outra situação quando estava no Ankaraspor. Fomos jogar fora, ao estádio de um rival, contra o Ankaragücü, e estávamos a ganhar por 3-0. De repente, só vejo pessoas a entrar dentro do campo, a quererem-nos bater e a minha reacção foi logo a de fugir para o túnel. Depois tivemos de fugir para outro túnel mais longe. Entretanto a polícia apareceu, ficámos na cabine e o jogo foi cancelado. Ganhámos os três pontos, eles foram penalizados pela invasão de campo dos adeptos. Foi uma situação um pouco mais complicada, ver as pessoas mesmo de frente, ter de desviar-me e ver pessoas a cair porque a relva estava molhada. Felizmente ninguém foi atingido e aquilo passou.


Internacional português, foi figura do Belenenses e por cá representou ainda V. Guimarães, Marítimo, V. Setúbal e Pinhalnovense. Joga no Farense.

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