Mário Sérgio

Quando fui para a Ucrânia foi um choque um bocadinho grande. Costumava dizer que ninguém ia para a Ucrânia, em tom de brincadeira, e quando lá cheguei realmente foi um choque. Não tem nada a ver com a nossa cultura e com a nossa realidade.
Logo à chegada ao aeroporto, entretanto depois fizeram um aeroporto novo em Donetsk, aquele foi destruído, fomos buscar as malas e não havia tapete rolante. O que é que acontecia? Passávamos a zona dos passaportes, virávamos à esquerda e as malas estavam lá numa carrinha de caixa aberta. Tinhas de andar lá à procura da tua mala! Isso foi uma coisa que me marcou. Não estávamos habituados a essa realidade. Levar com isto logo à chegada, pensei: “mas onde é que eu me vim meter?”.
Isto foi uma delas. Era um país completamente diferente, mas depois acabou por correr bem tanto que fiquei lá quatro anos. Adaptei-me bem àquela realidade.
Depois disso estive cinco anos no Chipre. Aí a cultura já é parecida com a nossa, as próprias pessoas, e é um país bom para viver. Além disso estava na melhor equipa do Chipre e correu tudo bem. Até a temperatura era o oposto em relação à Ucrânia, passei de muito frio para muito calor. É uma ilha turística, é um país bom para viver e para ir conhecer. Tem grandes praias e é um país que aconselho a visitar porque vale mesmo a pena.
Lembro-me de uma situação que passei lá quando fomos jogar com o Paris Saint-Germain. Tínhamos um avançado, o Djebbour, que não estava a jogar. Ele era argelino, mas tinha muita família em França e o nosso treinador acabou por metê-lo a jogar. Foi tipo um prémio. Antes de irmos para o aquecimento, estava com o Manduca, que jogou no Benfica, e o adjunto veio ter connosco:
– Hoje vamos ter de organizar melhor a defender porque vamos jogar com dez.
Foi surpreendente e muito engraçado. Vamos para o aquecimento de um jogo da Liga dos Campeões e o próprio adjunto vem dizer-nos aquilo… O Djebbour era muito bom. Tinha vindo do Olympiacos, mas, na altura, não estava muito bem fisicamente. E como não ia defender muito, ia sobrar mais para os outros.
Levámos aquilo para a palhaçada, até porque, no nosso caso, o objectivo tinha sido conseguido, que era entrar na Liga dos Campeões. A partir daí, tudo o que viesse era lucro. Queríamos dar o nosso melhor e fazer boa figura.
E do Sporting tenho muitas histórias com o Paulinho. Tínhamos ali dois ou três jogadores que brincavam muito com ele. Era eu, o Custódio, o Hugo, o Hugo Viana, estávamos sempre a fazer-lhe partidas, mas ele também gostava. Estava sempre connosco. Depois, quando chegavam as férias, ele só queria vir para o Norte. Gostava de passar uns dias connosco.
Era um bom ambiente. E ele também nos fazia a nós. Normalmente eram aquele tipo de partidas de um chamá-lo e, quando dava por ele, estava outro a despejar-lhe um balde de água por cima. Havia muitas, mas eram este tipo de brincadeiras.


Actualmente no Varzim, na Segunda Liga, passou por Paços de Ferreira, Sporting, Vitória de Guimarães, Naval, Metalurh Donetsk, APOEL e Apollon Limassol. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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