Mário Jorge

Na época em que representei o Benfica, em 1992/93, estávamos todos motivados pelo plantel que tínhamos e pelo facto de irmos ser treinados por uma referência mundial, com um currículo invejável, como era o caso de Tomislav Ivic.
Já no estágio de pré-época realizado na Suécia ficámos um pouco perplexos com o sistema que queria implantar. Normalmente queria que os laterais pusessem a bola no extremo contrário, não queria um jogo organizado e elaborado, mas sim mais directo, com muito pouca intervenção do meio-campo. No primeiro treino no Estádio da Luz, com bastante assistência, deixou-nos sentados na relva na habitual palestra e pôs-se a contar passo a passo a metragem do campo. Mais surpresos ficámos quando nos disse que iria encurtar o campo para ser mais fácil chegar à baliza do adversário e para fazer pressão. Ele dizia numa mistura de línguas: “pression, pression, mátalos a todos!”
Depois de conseguir levar avante as suas ideias e de termos ficado com o campo mais pequeno, recebemos na primeira jornada o Salgueiros, boa equipa na altura e constituída por jogadores atleticamente altos e fortes. Resultado final: 0 a 0, o que deixou os adeptos furiosos, pois sabe-se a exigência que era jogar no Benfica naqueles anos, onde dois ou três passes laterais já eram motivo de desagrado, quanto mais empatar ou perder. E pior se isso acontecesse em casa.
Ao fim de, salvo erro, oito jornadas, Tomislav Ivic deixou de ser treinador do Benfica, sucedendo-lhe o Toni. Nessa época, com um plantel muito rico, com jogadores como Rui Costa, João Pinto, Veloso, Rui Águas, Paneira, Yuran, Kulkov, Paulo Sousa, Pacheco, Mozer, Hélder, Schwarz, Fernando Mendes, Isaías, José Carlos, entre outros, ganhámos a Taça de Portugal por 5-2 ao Boavista, já com a incorporação do Paulo Futre, vindo a meio da época.


Destacou-se no Estoril, passou pelo Benfica e voltou a brilhar no Estrela da Amadora. Jogou também em Espanha e no Canadá. Actualmente tem duas escolas de futebol.

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