Maria João

Não tenho muitas histórias de futebol porque não sou propriamente uma aficcionada, mas sou sportinguista ferrenha e da Selecção Nacional, embora não perceba grande coisa de futebol, essa é a verdade. Mas tive uma história que achei engraçada que foi justamente com o Egberto Gismonti, com quem tive agora estes concertos no CCB e na Casa da Música, dias 9 e 11, que se passou no Europeu de 2004, quando Portugal jogou com Inglaterra e deu uma cabazada, lembram-se? A gente meteu uma catrefada de golos, foi muito bonito.
Tínhamos chegado nesse dia a Itália, eu ia tocar com o Mário Laginha e o Egberto ia tocar a solo. Ele chegou num voo do Brasil, depois teve de estar à espera porque era ao pé de Roma, mas não era mesmo Roma, portanto tínhamos de ir todos no mesmo carro e o Egberto já estava pelos cabelos, claro. Ele fica pelos cabelos com alguma facilidade, mas dessa vez estava mesmo pelos cabelos porque esteve à nossa espera, que chegasse o nosso voo, para depois irmos, e nós parávamos em tudo o que era bomba de gasolina para ver a jogatana. Ele já estava completamente surdo, com as mãos nos ouvidos, porque nós estávamos aos berros, o jogo foi realmente incrível e ganhámos à Inglaterra com toda a limpeza. E lembro-me da cara dele, em desespero, já só se queria ir embora e ia dizendo, suavemente, mesmo suavemente:
– Embora? Pela madrugada vamos embora, por gentileza?
Depois ganhámos e fizemos uma festa!


Uma das melhores vozes do país, destacou-se no duo com Mário Laginha e participa em projectos como Ogre ou com os Budda Power Blues, com quem tem vários concertos até ao final do ano.

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