Marco Bicho

Quando estava no Estoril tivemos um período que era um caos. Estivemos três ou quatro meses sem receber, o Sindicato foi lá apoiar-nos e de repente o João Lagos foi lá falar connosco. Recusámo-nos a treinar, dizíamos que não tínhamos dinheiro para comer, nem para beber água, e depois mal ele virava as costas ia a malta toda jogar poker. Não havia dinheiro para nada, mas assim que podíamos era a malta toda “all in”, “all in”, alguns com notas de 20 euros!
Por acaso, nesse ano no Estoril tivemos muitas histórias. Nos bancos de trás do autocarro, a seguir aos jogos, até caipirinhas fazíamos. Aquelas viagens eram uma loucura! Fazíamos caipirinhas, amêndoas amargas com limão e jogávamos poker. Aquilo era um vício no poker que era uma coisa parva. Mas essas viagens eram engraçadas. Até máquinas para picar o gelo conseguíamos levar lá atrás! Levávamos as bebidas todas de surra e fazíamos as viagens do Porto ou do Algarve até ao Estoril a jogar poker e a beber. O que é certo é que nesse ano ficámos em quarto e com quatro meses de salários em atraso.
Nesse ano tínhamos o vício do poker, mas se calhar também era isso que nos fazia distrair de algumas coisas. E acabava por nos unir também, havia sempre respeito entre nós. No final do ano fomos todos para uma vivenda, penso que era do Leão, mas as fichas do poker iam connosco para todo o lado! E através do poker temos montes de histórias. O Manuel Curto era o que gastava sempre mais.
Tínhamos um balneário muito bom. A malta estava sempre a gozar com a roupa e, como gozava com toda a gente, eles faziam votações para me eleger como o que se vestia pior. Aquilo era sempre palhaçada atrás de palhaçada.


Surgiu no futebol sénior ao serviço do Barreirense, depois representou Atlético, Estoril, DOXA (Chipre), 1.º de Agosto (Angola), 1.º Dezembro, Cova da Piedade e Oriental. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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