Manuel José

Tenho uma história num Benfica-Belenenses. Jogava no Belenenses emprestado pelo Benfica. O Benfica ia jogar contra o Vasas de Budapeste para a Taça dos Campeões Europeus e pediu ao Belenenses para antecipar o jogo do campeonato, porque naquela altura era preciso a anuência do adversário. E queriam antecipar para sábado porque o Benfica jogava na quarta-feira seguinte com o Vasas na Hungria. Estávamos na época 1967/68. Então o que é que o Belenenses fez? Pediu 150 contos ou a minha carta. Ou seja, pedia o meu passe, naquela altura dizia-se que era a carta. O Benfica ficou em brasa.

O jogo fez-se no domingo, não houve antecipação, e lembro-me de que quando chegámos ao estádio, assim que pus os pés fora do autocarro do Belenenses ouvi o chefe do departamento de futebol do Benfica, o Engenheiro Hélder Viegas, dizer alto e em bom som para que toda a gente ouvisse: “ó Manuel José, não ficas nem mais um minuto aí nesse clube. Quando acabar o campeonato vens-te embora para aqui outra vez!” E são uma cambada disto, do outro e não sei quantos. Conclusão: fomos jogar, o nosso amigo Eusébio, o suspeito do costume, marcou quatro golos e perdemos 7-0! Jogávamos em 4-4-2, com dois pontas-de-lança. Era golo do Benfica, a bola ia ao centro, o árbitro apitava para recomeçar o jogo, um dava a bola para o outro, que passava para mim e a partir daí não tocava mais na bola. O Eusébio não estava para brincadeiras nesse dia.

O Freitas, que depois foi para o FC Porto e foi internacional, tinha chegado de Angola nesse ano para o Belenenses. Ele era central, mas o nosso capitão, o Manuel Rodrigues, estava castigado ou lesionado e puseram o Freitas a lateral direito. E avisei-o: “Cuidado com o Simões que ele dá cada nó cego que aquilo não é brincadeira. Olha para a bola, não olhes para os pés dele.” Mas o Simões fez gato-sapato do Freitas. Mais o Eusébio inspirado, que ainda atirou uma bola à barra, não havia nada a fazer.


Era um playmaker com técnica acima da média, mas foi no banco que entrou para a história: era o treinador do Sporting no 7-1 ao Benfica e é o técnico português com mais títulos internacionais.

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