Madjer

No meu primeiro ano de campeonato russo e de Lokomotiv, naquela altura assinei contrato e foi um ano em que não recebíamos por transferência bancária. Terminava a etapa e recebíamos o valor a seguir aos jogos.
Antes do primeiro jogo, o presidente chega ao pé de mim e dá-me um envelope. Não sei se era para me motivar, mas deu-me um envelope. Fizemos o jogo e quando regresso ao hotel, eu estava hospedado em Moscovo, abro o envelope, começo a contar o dinheiro e aquilo tinha dinheiro a mais. Voltei a contar e aquilo não batia certo. Contei uma terceira vez, porque pensei “há aqui alguma coisa que não está a bater certo” e confirmei que tinha dinheiro a mais.
Como no campeonato russo eram dois a quatro jogos por fim-de-semana, no dia seguinte nós tínhamos novamente jogo. Cheguei lá e fui ter com o presidente:
– Olha, Igor, tenho aqui o envelope. Só o abri para conferir o dinheiro e está aqui dinheiro a mais.
Ele riu-se e respondeu-me mesmo tipo máfia russa, depois de me dar uma palmada na cabeça.
– Agora és da família do Lokomotiv. Bem-vindo à família! E podes ficar com o dinheiro que está em excesso.
Aquilo acabou por ser um teste. Não sei se o fazia a todos os jogadores que chegavam ao Lokomotiv ou só aos estrangeiros, mas era um teste à nossa confiança e a verdade é que acabei por ser aprovado nesse teste russo.


Eleito por cinco vezes o melhor jogador do Mundo de futebol de praia, o jogador do Sporting já ultrapassou os mil golos pela Selecção e jogou em Itália, Brasil, Rússia, Emirados e Turquia.

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