Luís Vidigal

Tantos anos depois, há a possibilidade de revelar aqui uma história interessante, que muito provavelmente para outras pessoas até seria motivo para se valorizarem e promoverem. Podia perfeitamente tirar proveito dela, mas guardei-a para mim e nem toda a família sabe! Refere-se à época de 2003/04, na altura actuava no Nápoles.

Num dia de folga, estava com a minha esposa numa esplanada e recebo um telefonema. Alguém que representava o treinador do Real Madrid perguntou-me como estava, se estava tudo bem, e se queria ir para Madrid. Não conhecia a pessoa, mas respondi: “por acaso até ia. Estou aqui com a minha esposa, ia até aí passear um bocadinho”. Ele respondeu: “não, digo vir jogar para Madrid”. Não estava a acreditar naquilo, tanto que passou o telefone ao treinador do clube, que na altura era o Carlos Queiroz. As conversas no futebol são sempre as mesmas, o mister refere-se a mim como um ingrato, com coisas como “foste para aí, eu é que fiz de ti jogador, agora és rico, não me ligas nenhuma”, etc., e eu, evidentemente, respondi da mesma forma, e disse-lhe “o mister é que está no Real Madrid e eu é que estou rico?”. Até que ele me diz: “preciso de ti aqui. Tens de vir porque o Makélélé não quer ficar e eu preciso de um jogador com as tuas características. Sabes que esta equipa é só índios, só atacam, e preciso de alguém para dar sustento ali no meio-campo. Esta é uma conversa que só nós e esta pessoa que te ligou sabemos. A tua apresentação será feita em cima do momento, não há preparação, é chegar, apresentar, e os jornalistas não têm tempo para dizer mais nada. Está resolvido, e eu é que sei”. Aquilo, evidentemente, foi assim uma coisa, alegria mas um choque ao mesmo tempo.

É importante referir que estávamos a uma semana do fecho do mercado. O Makélélé queria muito sair para o Chelsea e a história teve um final infeliz para mim, porque ele acabou por sair, mas o fecho do mercado em Inglaterra era mais tarde do que na maioria do resto da Europa. Ou seja, dá-se o fecho do mercado, eu com as malas feitas, mas fico sem hipótese de ir e fica lá a vaga em Madrid. É uma história que com prazer partilho com vocês, agora a grande maioria dos portugueses vai saber deste episódio extremamente interessante. Tenho a capacidade de não ficar magoado e guardar as coisas, mas na altura era uma oportunidade fantástica poder representar o maior clube do Mundo, com um treinador amigo, que me conhecia bem. Nem me preocupava com os valores do meu contrato! Faria o mesmo que fiz na altura de ir para o Sporting. Primeiro assino, depois tratamos dos valores. Era outra dimensão, outra coisa, mas o mesmo sentimento relativamente ao meu clube, o Sporting. Estando fora do Sporting, o maior é o Real Madrid. Quem não gostaria de representar o Real Madrid?


Passou cinco épocas no Sporting e deixou Alvalade como campeão, em 2000, depois de brilhar no Europeu. Jogou oito anos em Itália e terminou na Amadora, treinado pelo irmão Lito.

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14 comentários sobre “Luís Vidigal

  1. grande vidigal deixou saudades sozinho varria aquele meio campo jogador de raça a sporting um grande abraço

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