Luís Represas

Se “filho de peixe sabe nadar” fosse uma verdade incontestada, na nossa família teriam morrido “afogados” os três filhos postos no mundo pelos meus Pais. Amante de futebol, sócio 10958 do SLB, o meu Pai era daqueles que via o jogo na televisão depois de lhe desligar o som, seguindo atentamente o match pela Emissora Nacional. O relato radiofónico entregava-lhe na comodidade da casa a agitação e a angústia da partida como se ele próprio estivesse presente no estádio. Ou seja, o repórter contaminava emocionalmente quem o escutava e se deixava por sua vez contaminar ouvindo-o. Por isso estou em crer que as imagens televisivas apenas entretinham o espectador, que muitas vezes punha em dúvida a jogada a que tinha assistido na caixa mágica, face ao descritivo radiofónico. Pois se ele tinha estado tantas vezes no campo relatando futebóis, não poderia nunca pôr em dúvida as palavras daquele que estaria no momento a cheirar a relva. Em 1957 fundou juntamente com Domingos Lança Moreira a Revista Desportiva “O Golo”. Cobriu e relatou inúmeros campeonatos das mais diversas modalidades, Jogos Olímpicos etc etc. Mas o futebol era a sua paixão. A não ser quando Portugal enfrentava a Espanha nas finais do Mundial de Hóquei em patins. Mas das duas uma: ou o Pai Alberto Represas não investiu grande coisa na inoculação do vírus futebolístico nos 3 filhos ou então a genética tem vontade própria. Mas ninguém se incomodou com isso. Sempre crescemos e vivemos felizes no tempo de só uma televisão em casa. E para provar que não fiquei traumatizado nem por excesso nem por defeito já fui à bola 6 vezes e numa delas até vi o meu Belém ganhar a Taça de Portugal… ao Benfica. Ups… Desculpa Pai !!


São quarenta anos de uma carreira de sucesso, tanto a solo como na banda Trovante, que fundou em 1976. Encontra-se em estúdio a gravar o novo álbum, previsto para Setembro, cujo single “Achas que sim” já se pode ouvir nas rádios nacionais.

Foto: Rita Carmo

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