Luís Pedro

Tive um jogo que vou guardar para toda a vida, o Oliveirense-Freamunde da época passada. O treinador era o mister Filó, que nos avisou que tradicionalmente era um campo difícil e eles tinham o Yero, um avançado bastante alto, que motivava o jogo directo para ele. Sou defesa central, mas nesse jogo o mister até me pôs no meio-campo para tentar ganhar o jogo mais à frente, propriamente ao Yero.
Estava 0-0 ao intervalo e chegámos ao 2-0. Entretanto a Oliveirense faz o 2-1 através de um canto e, mesmo a acabar, já no período de descontos, o guarda-redes deles bate para a frente, um defesa nosso salta à bola mas esta passa-lhe por cima, o nosso guarda-redes vai à bola e acerta-lhe, mas também deu num adversário. O árbitro marcou penalty e expulsou o Marco. O mister já tinha feito as três substituições, não pôde meter o Jorge Baptista, que era o guarda-redes suplente nesse jogo. Estávamos a ganhar 2-1 e na classificação estávamos colados lá em cima. A Oliveirense estava a fazer um belíssimo campeonato e se ganhássemos ficávamos com uma margem confortável sobre eles, de uns 12 pontos. Se empatássemos, depois de estarmos a ganhar 2-0, ia ser um resultado amargo.
Obviamente que tinha de ir alguém para a baliza. O Marco tirou as luvas e decidi ir eu, também por ser alto. Pensei que poderia influenciar o Carlitos, o jogador da Oliveirense que foi marcar. Ele tinha todas as possibilidades de fazer o golo, não tenho a mínima noção da baliza, mas pensei que por ser alto podia desestabilizá-lo um bocado. Até me pus para lá aos saltos e tudo! O que mais queria era que ele falhasse para ganharmos.
Quando era mais miúdo, na praia, quando ia à baliza só me conseguia atirar para o meu lado esquerdo, para o lado direito não tenho a mesma noção de cair. E pensei: “estou aqui, se ele marcar golo é normal, por isso vou atirar-me para o lado que gosto e que consigo, depois logo se vê.” E assim foi. Dei um passo à frente e atirei-me para o meu lado esquerdo. Por pura felicidade, consegui defender o penalty e na recarga remataram por cima. Passado pouco tempo o jogo acabou e ganhámos.
Depois foi uma risota muito grande no balneário porque no fundo nem eles acreditavam. Nem eles nem ninguém! E foi uma alegria incrível, não há palavras para descrever porque é muito diferente. Uma sensação esquisita. Estamos ali com luvas e com toda a gente a olhar para nós, parecia um boneco! Estava fora do sítio, sem saber o que fazer. Foi muito engraçado e é uma história que fica para a vida.
Não é todos os dias que um jogador de campo consegue defender um penalty. Se já acontece com uma minoria ter a oportunidade de ir para a baliza defender um penalty, muito mais raro é defendê-lo. É quase impossível. Já deve ter acontecido mas, que me recorde, não sei de outro caso. No fundo é o que levamos do futebol: estas histórias e estes momentos felizes que passamos com a equipa.


Internacional Sub-21, o actual capitão do Freamunde fez toda a carreira ao serviço dos Capões à excepção da época 2013/14, que passou com a camisola do Portimonense.

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