Luís Guilherme

Sempre adorei futebol e o Benfica. Tive o primeiro equipamento completo em 1982, com nove anos, e ainda hoje não sei o que lhe aconteceu. Mas tenho um trauma de infância maior, que era nunca ser escolhido para jogar, quando andava na Primária. Adorava jogar futebol, mas nunca tinha essa oportunidade. E não é difícil perceber porquê. À medida que fui crescendo, quando se faziam linhas já era o quarto ou quinto gajo a ser escolhido.
Um dia, quando gravava uma peça para o Volante, um programa de carros que dá na SIC Notícias, tive a sorte de irmos fazer uma espécie de rally paper a Guimarães. Pedimos ao Vitória para sermos recebidos no estádio e cumprir um desafio imposto pelo guião do Rui Pelejão, para a prova do rally paper, que seria eu chutar uma bola do meio-campo, três vezes, e acertar na baliza. E o Vitória foi impecável e recebeu-nos.
O Neno, que é o RP do Vitória, recebeu-me de forma muito simpática, até me aconselhou uma casa de bolos típicos em Guimarães e foi lá comigo, levou-me ao balneário do Vitória e apareceu o vice-presidente. Na altura, o Benfica, que era treinado pelo Jesus, ia jogar a Guimarães na penúltima jornada e o vice-presidente até me disse que se quisesse podia ir lá ver a bola porque uma das jornadas em que o Benfica podia ser campeão era nesse jogo em Guimarães. E acabou por ser o jogo do título, quando houve aquele vandalismo dos adeptos benfiquistas, que pilharam aquilo tudo.
Deram-me o equipamento completo do Vitória, equipei-me a rigor, entrei no relvado, benzi-me ao entrar no relvado com o pé direito, e assumi a minha posição no meio-campo com a bola e a baliza à minha frente. E pensei: “isto vai ser caga. Isto não é difícil. Não sou jogador da bola, mas consigo meter a bola na baliza. Mesmo que vá devagar, há-de lá chegar”. Tentei a primeira vez, a bola ia na direcção da baliza, mas, a meio caminho, virava para a esquerda e ia para fora da baliza. Isto uma vez, duas vezes e, à terceira vez, o Neno, que estava fora do campo e viu que não estava a acertar com a baliza, olhou para mim e deu-me uma dica que nunca vou esquecer:
– Luís Guilherme, quando rematares aponta para a bandeirola de canto do lado direito.
Portanto fiz mira para a bandeirola de canto do lado direito, chutei, a bola saiu inicialmente nessa direcção, mas depois fez a mesma curva e entrou na baliza.
E pronto, foi esta a minha experiência com o Neno, um guarda-redes que admiro muito, não só por ter estado presente no famoso 3-6 ao Sporting, como também foi o gajo que fez uma exibição impressionante no inesquecível 4-4, no Bayer Leverkusen-Benfica.


Co-autor e co-apresentador do GTI, um programa de automóveis e motos, exibido na TVI24, no qual faz de Easyrider. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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