Luís Boa Morte

Em 2002, jogava no Fulham, estava num treino a dois dias de um jogo. O treinador era o Jean Tigana e ele não me meteu na equipa que ia ser titular no sábado. Fiquei com azia, não estava contente por saber que ia ficar de fora. Normalmente a equipa que vai ser titular treina contra os suplentes, então ele meteu-me na outra equipa, a defesa esquerdo. O Tigana pediu-me para fazer uma diagonal quando recebesse a bola, para virar o jogo. Ok. Quando recebi a bola, ele estava mais ou menos a uns quinze metros de mim, tracei uma diagonal e pááaá! O Tigana tem a cabeça pequenininha e consegui acertar-lhe com a bola em cheio na cabeça! Levou a bolada e agachou-se. Quando se levantou ainda estava tonto e caiu para o lado. Claro que os jogadores começaram-se a rir e eu aproximei-me dele:
– Mister, está bem? Desculpe, mister, desculpe, mister…
Ele perguntou quem tinha atirado a bolada e eu disse que tinha sido eu.
– Não jogas mais comigo!
Quando cheguei ao balneário, eu e o Abdeslam Ouaddou, um colega marroquino, fartámo-nos de rir. Mas claro que voltei a jogar. No fundo o Tigana gostava muito de mim e ajudou-me bastante a crescer como pessoa e jogador.


Internacional português, trocou o Sporting pelo Arsenal e teve uma longa carreira em Inglaterra ao serviço de Southampton, Fulham, West Ham e Chesterfield. Jogou ainda na Grécia e na África do Sul.

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