José Augusto

Na primeira Taça dos Campeões ganha pelo Benfica, em 60/61, marquei nas duas eliminatórias contra o Aarhus, um na Luz e dois na Dinamarca. No final do jogo fui levado em triunfo pela mocidade dinamarquesa. Os miúdos agarram em mim e levaram-me ao colo, foi um momento inesquecível, e o Gabriel Hanot, um conhecido jornalista do L’Équipe, considerou-me o príncipe da Dinamarca.
Mas acho que já antes, nessa época, os jogos com o Újpest, tanto no Estádio da Luz como o da segunda mão, foram os mais marcantes. Foram esses dois jogos que realmente me lançaram na Europa do futebol.
Tinha chegado ao Benfica em 1959, vindo do Barreirense, onde jogava como avançado. Foi o Béla Guttmann que me adaptou à posição de extremo direito no Benfica. Eu tinha o ADN do meu pai, que também tinha sido um bom jogador, e metia a inteligência na velocidade. Era assim que conseguia desbaratar o adversário e dar golos a meter aos meus companheiros, ao Águas e depois ao Torres. Com a idade, continuava a ser rápido mas sem a velocidade que tinha aos 20 anos, evidentemente que tinha de aplicar ainda mais a inteligência e de extremo passei a jogar mais ao lado do Coluna, no meio-campo. Com a chegada do Jaime Graça, que normalmente jogava a médio ala e também era um jogador bastante rápido, nós trocávamos de posições. Ele fazia ali o flanco direito enquanto eu organizava as jogadas a partir do meio com o Coluna. Fundamentalmente, foram essas as minhas adaptações.


Um dos Magriços do Mundial de 1966, em onze épocas no Benfica venceu oito campeonatos, três Taças de Portugal e as famosas duas Taças dos Campeões Europeus dos encarnados.

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