Jorge Gabriel

No meu primeiro ano como treinador, era adjunto no agora famoso Arouca. As minhas viagens no campeonato distrital de Aveiro estão repletas de peripécias dignas de um livro.
Das mais caricatas recordo um encontro com o Sporting de Fermentelos que ganhámos sem contestação por 3-0, num campo muito ajeitadinho para um campeonato deste nível. Sucedeu, porém, que durante todo o jogo, um adepto ferrenho aproveitou todos os momentos de convívio para me provocar com os mais diversos e imaginativos afrontamentos.
Desde que preferia que a Sónia Araújo ali estivesse (no lugar dele diria o mesmo), até ao habitual “sai daí, ó vaidoso”, passando pelo não menos hilariante “uma bola chuta-se com o pé, não com um microfone”, foi um mimo de elogios que chegaram a roçar os mais ordinarotes.
Só a marcha do marcador foi diminuindo a frequência das intempestivas entradas a pés juntos deste corajoso apoiante. Finda a partida, e quando saí do banco, dirigi-me de imediato à bancada e chamei-o. Mostrou-se desentendido até que os companheiros de bancada o alertaram para o meu chamamento. Apertei-lhe a mão, seguiu-se um abraço, e, em contrapartida dos “recados” com que me brindou, garantiu que na segunda-feira estaria coladinho a ver a Praça da Alegria.
Foi a gargalhada geral, e no dito programa enviei-lhe um cumprimento que espero ainda hoje se mantenha na sua memória.


Estreou-se na televisão em 1993, na SIC, e em 2002 mudou-se para a RTP, para apresentar a Praça da Alegria com Sónia Araújo. Em 2006 treinou o Arouca, então nos Distritais de Aveiro.

Esta é uma das 20 histórias inéditas, num total de 100 presentes no livro “Relato – Histórias de Futebol”, que pode ser adquirido em todas as boas livrarias ou encomendado aqui.

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