Jorge Amaral

Numa viagem de comboio para Lisboa antes de um Sporting-FC Porto, antigamente fazíamos assim o caminho para baixo, estávamos quase a chegar e o senhor José Maria Pedroto chamou-me: “De certeza que amanhã vai haver um penalty e vai ser o Jordão a marcar. Tens de resistir a voar porque ele marca muito bem para qualquer um dos lados.”
Chegámos a Lisboa e, como sempre, comprávamos logo o bilhete de volta. Como sou de Lisboa, aproveitava o dia de folga e depois ia para cima. Fui comprar o bilhete enquanto os meus colegas iam saindo. Quando cheguei lá fora, o autocarro estava a sair e perdi-o. Meti-me num táxi e disse ao taxista: “siga o autocarro do FC Porto”. Fui atrás do autocarro, na altura costumávamos ficar no hotel Penta, cheguei atrás do autocarro, os meus colegas saíram, eu saí do táxi e ninguém deu pela minha falta durante aquele trajecto! Fui buscar o meu saco e foi como se nada se tivesse passado.
No dia seguinte, tal como o mister previra, houve dois penalties a favor do Sporting e, nos dois, fui para um lado e o Jordão rematou para o outro. Aliás, o Jordão marcou um hat-trick nesse jogo: dois penalties e o golo do ano! De calcanhar, ao ângulo contrário, um golo fantástico! Ficou 3-3, um grande jogo de futebol, no campeonato de 1982/83.
Tenho outra história engraçada de quando subi de júnior a sénior. Estava no Benfica e fizemos uma viagem aos Estados Unidos. Tínhamos duas equipas, quase 40 jogadores, então uma equipa foi para a China e outra para os Estados Unidos. Era uma equipa de miúdos mas constituída por grandes jogadores: Rui Rodrigues, Malta da Silva, Rui Lopes, Shéu e essa gente toda que às vezes não jogava pela equipa principal. O nosso capitão era o Rui Rodrigues e o treinador era o Fernando Cabrita, o adjunto do Jimmy Hagan nessa altura. Bom treinador e um homem fantástico. E ele normalmente dizia uma frase, que era “vamos dar um passeio higiénico”. Era darmos um passeio pelas redondezas, apanharmos um bocado de ar e desentorpecer as pernas. E eu, lá de trás, perguntei: “Ó mister, é preciso levar o papel higiénico dos quartos?” A resposta dele não se fez esperar: “Ó menino, vais fazer as malas e vais já para Lisboa!” Tive de pedir desculpa, como é evidente, e o Rui Rodrigues pediu-lhe para que ficasse. Tinha 18 aninhos, jogar ali nas reservas com aquela idade era uma maravilha, estava todo confiante e saí-me com esta.


Jogou onze épocas na I Divisão, ao serviço de Marítimo, V. Setúbal, FC Porto, Farense e Penafiel, antes de se tornar treinador. É comentador da CMTV e está a implementar o Padbol em Portugal.

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