John Gonçalves

Basicamente, gosto de futebol só porque quero ver o Benfica campeão europeu. Mais nada. Não quero mais nada nesta vida. Quando o Benfica for campeão europeu não quero saber mais de futebol. Sinceramente. É um bocado como quando Portugal for campeão do Mundo. Se ganharmos na Rússia vou continuar a ver os jogos mas não vou ver mais nenhum jogo in loco, não vou gastar mais dinheiro com a Selecção portuguesa. Tenho esta fixação por ser campeão europeu. O FC Porto já foi, o Benfica já foi mas eu não vi. A minha fixação, eu ser um bocado fanático pelo Benfica, tem a ver com o facto de nunca ter visto o Benfica ser campeão europeu.
Quando era miúdo estivemos muito perto de o ser, com o PSV Eindhoven. Com o AC Milan foi diferente, mas apanhar o PSV na final não é o Real Madrid ou o Barcelona. Foi um bocado como Portugal no Euro. Andámos ali com o País de Gales e em pezinhos de lã. Eu era miúdo e na altura senti logo que aquilo era a melhor coisa de sempre!
Nós tínhamos uma discoteca, o meu pai foi ver o jogo para lá, e vi o jogo com uns amigos em casa. Como a minha casa estava vazia fiz ali uma grande festinha a pensar que íamos ser campeões europeus. Depois o Benfica perdeu nos penalties e foi aquela tristeza absoluta. Mas a questão da história é: o que é que eu seria se tivesse ganho aquela taça? Se calhar agora gostava do Benfica de uma maneira muito mais relativizada, se calhar não tão apaixonado, porque tinha chegado ao objectivo muito cedo. Com o AC Milan foi diferente, aí era um milagre ganhar. Começámos a perder e o AC Milan deixou-nos jogar, a fingir que jogávamos bem. Vi o jogo há pouco tempo e não críamos praticamente jogadas nenhumas.
E a minha história de vida do futebol é isto: hoje sou apaixonadíssimo pelo Benfica com base naquela final. Se tivessemos ganho, tinha relaxado muito mais naquilo que é o meu objectivo de vida em termos desportivos. Em termos desportivos, calma! Não vou estar aqui a dizer que a minha vida é ser campeão europeu, que não quero ter filhos e o resto é tudo à parte. Não é isso. É aquela história que ainda hoje acho que é “o que é que seria se?”.
É a história que conto porque é aquela que me marca. Aquele penalty do Veloso vai ser até ao resto da vida. Eu chorei a alma! Parti um vaso, uma coisa do gelo… estava maluco da cabeça. Muito provavelmente daqui a 100 anos esta história vai manter-se porque, infelizmente, o Benfica pode nunca mais ser campeão europeu e quando estive mais perto de o ser houve aquele penalty do Veloso. Fica para a posteridade.


Teclista e baixista dos The Gift, com quem irá subir aos palcos dos Coliseus do Porto e Lisboa, a 2 e 3 de Março, para apresentar “Altar”, o mais recente álbum da banda de Alcobaça.

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