Joaquim de Almeida

Fiz-me sócio do Benfica quando era miúdo. Lembro-me sempre do meu número de sócio, era o 64856. Já me disseram que se pagasse as quotas todas em atraso ficava com o número dois mil e tal. Ia sempre para o terceiro anel com uns amigos que viviam aqui à minha frente e às vezes também com os meus primos. Nessa altura tinha seis ou sete anos, estamos a falar por volta de 1963, e era o grande Benfica, do José Augusto, do Eusébio, do Torres, do Simões, do Germano, do Costa Pereira… Digo sempre ao meu filho: “Nós víamos o grande Benfica e tu, que ficaste benfiquista à minha conta, viste o Benfica ganhar meia dúzia de campeonatos.”
Íamos sempre para o terceiro anel e isto era na altura em que não havia cadeiras, eram aquelas bancadas corridas. E ficávamos ao pé de uma velhota que ia sempre com um garrafão. Bebia lá um garrafãozinho, até nos dava sempre uma pinguinha, dizia que fazia bem, misturada com água e tal, e trazia sempre frango, um grande farnel, e dava de comer aos putos, como ela dizia: “Venham cá, putos. Venham comer. Vêm para aqui para a bola sem nada para comer”, e não sei quê.
E nessa altura, o José Augusto tinha uma alcunha porque nunca gostava de se sujar, chamavam-lhe o Maria Alice. Num jogo, o Benfica estava ao ataque e o José Augusto não vai a uma bola, lá está, aquela coisa, e eu gritei: “Eh pá, ó Maria Alice!” Pumba, levei um caldo logo! “Você não chama Maria Alice ao meu José Augusto, senão não come mais daqui do farnel!”, gritou-me a velhota. A partir daí nunca mais chamei Maria Alice ao José Augusto porque levei um caldo de tal maneira que nunca mais me esqueci…


É o actor português mais bem sucedido no estrangeiro. O filme Desperado, de Robert Rodriguez, no qual é o vilão que contracena com Antonio Banderas, catapultou-o para a fama além-fronteiras.

Esta é uma das 20 histórias inéditas, num total de 100 presentes no livro “Relato – Histórias de Futebol”, que pode ser adquirido em todas as boas livrarias ou encomendado aqui.

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