João Vieira Pinto

Esta situação passou-se com o falecido Jorge de Brito, presidente do Benfica, em que estive toda a noite a falar com ele e com o major Valentim Loureiro, numa altura em que estava no Boavista. Foi quando cheguei a acordo com o Benfica para ir para lá, e estive praticamente uma noite sem dormir. Eu e o major queríamos tratar da transferência e não havia maneira do presidente do Benfica puxar o tema. Então, quando chegámos a acordo, já eram cinco e meia da manhã, em casa do Jorge de Brito, uma pessoa que eu muito considero, um ser humano espectacular.
Fomos jantar, perto de casa dele, eu tinha vindo do Porto com o major, e falámos de tudo e mais alguma coisa menos de futebol. Às tantas eram cinco e meia da manhã e ainda não tínhamos abordado o tema, e fiquei sem saber se realmente o Benfica me queria contratar ou não. Só a essa hora é que o major deve ter chegado a um limite e perguntou: “Ó Jorge, afinal vamos transferir o miúdo ou não?”
Depois começou-se a falar do tema, ele disse que o Benfica gostava de me ter, uma jovem promessa, tinha sido campeão do Mundo, queríamos muito… Chegámos a um acordo, mas eu não sabia o valor do contrato, nada, simplesmente que tínhamos chegado a acordo. Só no dia a seguir é que vim a saber as condições, anos de contrato e essas coisas todas. Mas também tinha total confiança no major, e a verdade é que as coisas correram bem. Disse-me naquela altura, como já tinha dito em situações anteriores, que ele trataria das coisas, sempre de uma forma muito séria e amiga. Foi o que aconteceu. O primeiro contrato que fiz com o Boavista nem foi ao notário, foi um papel de 25 linhas, assinado por ele, eu nem sequer tinha o contrato. A verdade é que ele cumpriu sempre aquilo que tínhamos acordado, por isso com o Benfica também deixei as coisas nas mãos dele.


Bicampeão do Mundo de sub-20, em 1989 e 1991, teve um desempenho notável em oito épocas no Benfica e quatro no Sporting, tornando-se uma das maiores figuras da história do futebol português.

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