João Meira

Quando estava no Atlético fomos uma semana para a Madeira, porque tinha havido umas chuvas muito fortes e um jogo tinha sido adiado, então tivemos a oportunidade de fazer lá dois jogos nessa semana. E não correu muito bem a nível de resultados. Fomos à Camacha empatar 2-2, salvo erro, e depois jogámos com o Marítimo B no domingo, em que a malta também estava um pouco cansada e as coisas não estavam a correr muito bem. Levámos um golo e faltavam uns 25 minutos para acabar quando sofremos o segundo. O nosso treinador, o Toni Pereira, esse ícone do futebol português, que é um treinador fantástico, começou a gesticular para mim e a dizer “marca” ou “chega perto”, uma instrução qualquer desse género, não me recordo ao certo, e eu levantei os braços e mandei-o para um sítio menos agradável. A coisa que ele mais detestava era que alguém lhe levantasse os braços! Já não tínhamos substituições para fazer, mas ele chamou o árbitro auxiliar e queria tirar-me do campo à força porque lhe tinha faltado ao respeito. Por momentos ainda pensei que fosse levar um calduço ou qualquer coisa assim, mas não passou disso. Nesse jogo tínhamos o presidente no banco, que também falou com ele, e o treinador lá se acalmou. Toda a gente se ria, deve ter sido giro de ver o que se passou. Houve uma conversa mais acesa no balneário, disse que não tinha nada a ver com ele e as coisas acabaram por correr bem.

Mas passaram-se situações engraçadas no Atlético. Uma vez também ganhámos um jogo fora e recebemos uma chamada do presidente a dizer que quando chegássemos à Tapadinha tínhamos lá um prémio de jogo. Ficámos todos contentes “epá, presidente, isto é uma novidade!”. Quando chegámos lá tínhamos uma garrafa de whisky e umas 20 chávenas de café à nossa espera. “É para fazermos um brinde ao nosso jogo e à nossa vitória”, disse o presidente. O prémio de jogo foi um copinho de whisky…

E tive a situação do doping no Atlético, que foi a mais negativa, em que passei os oito meses mais difíceis da minha vida profissional, mas felizmente está tudo ultrapassado. Pensei que a minha vida futebolística ia dar uma volta muito grande pela negativa mas, pelo contrário, durante esse tempo em que estive castigado apareceu uma oportunidade de ir para o Antuérpia, da Bélgica, e foi quando recebi um convite do Belenenses, onde estou agora.


Natural de Setúbal e formado no Vitória, passou em seguida por Cova da Piedade e Mafra. Depois esteve três épocas no Atlético e outras três no Belenenses. Joga na MLS, nos Estados Unidos, pelo Chicago Fire.

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