Hassan

Quando o meu filho mais velho nasceu eu jogava no Farense. Éramos para ir jogar a Aveiro e a minha esposa estava no hospital. Entrou na quinta-feira e tínhamos a viagem na sexta-feira de manhã, às 8h30. Então cheguei ao estádio e disse ao Paco Fortes que não ia sair de Faro. E ele ficou surpreendido: “como não vais? Estás maluco?” Insisti que não ia e disse-lhe que era o meu primeiro filho, queria esperar pelo nascimento. O Paco sabia que quando eu metia uma coisa na cabeça não havia nada a fazer. Então disse ao médico para ficar comigo, que respondeu logo: “Eu não! Ele é maluco, eu não fico com ele!” Acabou por ficar o Fernando Belo, o fisioterapeuta.

Na sexta-feira, o Fernando disse-me: “já é meio-dia e ele ainda não nasceu, vamos embora.” Voltei a bater o pé: “ó Fernando, vou ficar até ele nascer. Não vou a lado nenhum.” Acabou por nascer às 15h20. Fui ver a minha esposa e o bebé e disse ao Fernando que podíamos ir, já eram quase cinco da tarde. Chegámos a Aveiro era meia-noite e meia. No dia a seguir ganhámos o jogo por 3-1 e marquei um golo.

Quero aproveitar para mandar um grande abraço para todos os farenses e dizer-lhes que estão no meu coração. E viva o Farense!


Internacional marroquino, jogou ainda no Benfica e é o melhor marcador do Farense na I Divisão, com 87 golos. O filho, Mohcine Hassan, joga no Freamunde.

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