Gonçalo Jorge

Na minha vida, desde que me lembro, sempre tive um monte de paixões que me fizeram vibrar. A arte de criar ilusões foi, desde cedo, uma dessas paixões. Já o futebol, nem por isso. Ainda assim, tendo nascido num país onde esse é o desporto rei, acabei por estar sempre exposto ao futebol. Lembro-me de dar uns chutos na bola nos recreios da escola, como todos os rapazes da minha idade; lembro-me de trocar os cromos da Panini dos jogadores com os meus colegas; lembro-me de ver os jogos do Benfica na televisão com o meu pai e o meu irmão. Posso dizer que essas actividades, no entanto, e embora me dessem algum prazer, nunca me fizeram os olhos brilhar. Nunca levei o futebol muito a sério.
Quis o destino que na minha vida entrasse alguém para quem o futebol ocupava um lugar mais relevante do que para mim: o meu melhor amigo. Conheci-o na escola primária, na primeira classe, e logo nasceu uma grande amizade. Com o passar dos anos acabei por acompanhá-lo muitas vezes aos estádios para assistir a jogos de futebol. Vi jogos do Futebol Clube do Porto, do Sporting, do Benfica, da Seleção Nacional da Grécia e, nos últimos anos, da Seleção Nacional do meu país. O meu amigo chama-se Luís. O pai dele chama-se Fernando, e é o selecionador nacional.
Foi com o Luís (e com a família dele e a minha namorada) que vivi a estória mais épica da história do desporto nacional: o dia em que Portugal venceu a França na final do Euro 2016! Eu estive lá, a 10 de julho de 2016, no Stade de France, a poucos metros do relvado onde tudo se passou. Eu sei que disse que nunca liguei muito a futebol, mas o que ali aconteceu foi maior do que o futebol, maior do que o desporto. Foi um triunfo indescritível de um país, do meu país, que é também a minha paixão. Foi um momento que será seguramente incluído nos manuais de história de Portugal, não só de história desportiva. Poder ter estado lá fisicamente nesse dia foi um enorme privilégio. Mas o privilégio não foi só ter visto… foi ter abraçado, no final, o Fernando Santos, o nosso seleccionador, que me olhou nos olhos e disse sorrindo: “fizemos Magia, não fizemos?”. Fizemos sim senhor, mister.


É médico, produtor de fotografia em sessões para Playboys de todo o mundo, e também ilusionista: integra a dupla “Tá na manga”, que faz do parte do espectáculo “Luís de Matos – Impossível ao Vivo“. Facebooktwittergoogle_pluslinkedinmail

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