Gonçalo Brandão

Das histórias mais engraçadas que vivi e, ao mesmo tempo, um episódio que foi complicado naquele momento passou-se num Inter-Siena. Foi um jogo de fim de campeonato, na antepenúltima jornada de 2008/09, com o Inter já campeão, com Figo, Quaresma e Mourinho, e tinha o Ibrahimovic na corrida pelo título de melhor marcador.
Há uma jogada em que o Balotelli, ainda miúdo, se isola com o Ibrahimovic, aí uns 20 metros nas costas da nossa defesa. Ao Ibrahimovic só faltava ter uma cartolina nas mãos a dizer “passa-me”, mas o Balotelli finge que lhe passa, finta o nosso guarda-redes e mete a bola dentro da baliza. Eu vinha a correr para trás, para tentar cortar a bola, ainda dei um carrinho e lembro-me de ver nesse momento o Ibrahimovic furioso. Aquilo não se viu na televisão, mas foi directo ao Balotelli, pegou-se com ele nos festejos! Lembro-me de ver o Figo e o Zanetti a separá-los. Depois foi bola ao meio-campo, nós atacámos e foi canto a nosso favor. O Balotelli estava a marcar-me e o Ibra estava interessado em tudo menos em jogar, estava só a ir para cima do Balotelli, a querer mesmo chegar ao confronto físico. Depois, como toda a gente sabe, o Balotelli também não é de ficar sem responder, então respondia e o Ibrahimovic ainda mais chateado ficava. Tudo isto porque ele tinha a sensação de que podia não ser o melhor marcador. Nunca o tinha sido e foi a última época dele no clube antes de ir para o Barcelona. O momento mais polémico foi quando o Mourinho o quis substituir e o Ibra começou a dizer que não saía do campo. Alteraram a substituição e ele acabou por fazer um golo.
Foi uma história peculiar. O engraçado é que fora de campo ninguém se apercebeu que eles quase chegaram ao confronto físico e nós lá dentro estávamos boquiabertos por eles estarem quase a lutar. As duas equipas já só estavam a cumprir calendário, então até deu para rir. Aliás, nos jornais apareceram fotos com os jogadores a rir num canto e era por causa disso, ninguém estava à espera daquele desfecho. A mentalidade do Ibrahimovic, de querer ser sempre o melhor e, neste caso, o melhor marcador, ficou bem patente naquele jogo.


Formado no Belenenses, o internacional português e capitão dos azuis do Restelo conta com passagens por Itália (Siena, Parma e Cesena), Inglaterra (Charlton) e Roménia (Cluj).

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