Germano Campos

Há uns anos, durante um estágio da Selecção Nacional, ainda no Hotel Amazónia, em Oeiras, hoje é na Cidade do Futebol, eu, devido às relações de amizade com o Nuno Gomes, na altura capitão do Benfica, combinei com ele uma entrevista. Disse-lhe:
– Olha Nuno, se não te importas, qual é a melhor hora para ir ter contigo ao hotel para falarmos?
Ele disse-me para estar lá às 21 horas, a seguir ao jantar, que era às 20. Às 21 horas eu estava no Hotel Amazónia, dirigi-me à recepção e pedi para falar com o Nuno Gomes. Ele chegou, cumprimentámo-nos como amigos, respeitando, naturalmente, a posição de cada um, e estávamos ali quase a começar a conversar quando apareceu um senhor alto, espadaúdo. Na altura não percebi quem era, mas mais tarde vim a saber que era um dos assessores da Federação Portuguesa de Futebol, que me disse:
– O senhor aqui não faz entrevistas porque não combinou com ninguém da Federação e isto tem de passar tudo por nós.
– Mas eu combinei com o jogador…
– Não faz mal, tinha de ter falado connosco. Faça o favor de se retirar.
Eu estava a ver que aquilo ia tudo por água abaixo e o Nuno Gomes muito enfiado, coitado, a dizer-me que não tinha culpa, como é evidente. Estava ali a tentar dar a volta ao senhor sem sucesso até que a certa altura ele me disse:
– O senhor aqui no hotel não fala.
E eu perguntei:
– Então e fora do hotel?
– Fora do hotel pode fazer o que quiser.
Virei-me para o Nuno Gomes e disse-lhe:
– Nuno, anda ali para o meu carro e vamos falar.
Então fomos para o meu carro, sentámo-nos e estivemos ali livremente a conversar durante mais de uma hora sobre tudo e mais alguma coisa. É curioso que o próprio jogador queria falar e não o deixavam. Enfim, são aquelas coisas curiosas deste meio.


Jornalista desde 1981, esteve na Rádio Renascença entre 1984 e 2001 e hoje é uma das vozes de referência da RDP Internacional com o programa “Germano Campos Entrevista”.

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