Filipe Lopes Gonçalves

“Onde é que estavas na final do Euro 2016?” A pergunta vai entrar nas conversas dos portugueses durante muitos anos. E é um privilégio poder responder que estava no segundo melhor local possível a seguir ao relvado: as bancadas do Stade de France.
No dia da final, os directos à porta da “casa” da Selecção em Marcoussis começaram cedo. O ambiente era incrível! Assim que o autocarro saiu em direcção ao estádio, eu e os três colegas da Sporttv com quem estava a trabalhar, saímos também com o mesmo destino. Tínhamos a possibilidade de assistir ao jogo com o compromisso de voltarmos a tempo de registar o regresso da Selecção.
A bancada, destinada a uma grande parte dos jornalistas portugueses, rapidamente se tornou num pequeno café tuga no meio da multidão francesa. As duas excepções estavam ali pelo meio, mesmo à minha frente. Dois adeptos franceses equipados e pintados a rigor. Não sei porque tinham bilhete para aquela zona de imprensa mas a experiência que passaram durante 120 minutos deve ter feito com que não tenham voltado tão cedo a um estádio. É que o dever de imparcialidade e contenção nos festejos tem alguma tolerância naquelas circunstâncias… Numa final de um Campeonato da Europa em que está a Selecção Nacional, não se pode pedir a um português que se comporte como na ópera. E contra a França! Impossível. Os dois adeptos franceses, calmos e silenciosos durante quase todo o jogo, decidiram “desafiar” aquela mini claque portuguesa pela primeira (e última) vez já na segunda parte. Levantaram-se para incentivar a equipa antes de um pontapé de canto que acabou por sair directamente pela linha lateral do outro lado. Desistiram. Acho que saíram dali pouco depois do golo. Mas sei lá eu o que é que se passou depois do golo?…
Sabia que tínhamos de sair do estádio assim que o árbitro apitasse. E sabia que, com a vitória portuguesa a compôr-se, as saídas iam estar entupidas. Os adeptos franceses iam ter ainda mais pressa de sair dali do que nós. Deixámos a bancada a correr em direcção ao carro, enquanto festejávamos euforicamente por entre as camisolas azuis e vermelhas que apareciam à frente. Correr era uma opção importante pela urgência que tínhamos em voltar a Marcoussis mas também porque ficámos com a ideia que não estávamos a fazer amigos pelo caminho…
Com alguma dificuldade, entre filas intermináveis e estradas cortadas, chegámos a Marcoussis. A felicidade dos adeptos, na grande maioria emigrantes, era indescritível. A “vingança” tinha chegado finalmente. Caso conseguissem dormir, iam certamente acordar com mais vontade de chegar ao trabalho do que nunca.
Já a noite ia longa quando o autocarro da Selecção chegou. Em poucos segundos, ficou rodeado pela euforia de milhares de pessoas no curto percurso até ao interior do Centro Nacional de Rugby. A expectativa de que os jogadores pudessem ainda sair para exibirem o troféu fez com que nos tenhamos mantido por lá mais algum tempo.
Eram quase 6 da manhã quando voltámos ao hotel. Estava com o repórter de imagem, o José Wergy, e uma equipa da RTP, o Alexandre Santos e o Filipe Martins. Ainda não tínhamos festejado o título de forma adequada e decidimos ir até à piscina do hotel. Os mergulhos acordaram alguns hóspedes com pouco sentido de humor, especialmente àquela hora. Mas não tivemos culpa. Foi o Eder…


Começou a carreira de jornalista na TVI e está há onze anos na SportTV, onde foi uma das caras do lançamento da SportTV +, canal de notícias que iniciou as transmissões em Agosto deste ano.

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