Filipe Gonçalves

Decorria a época 2003/2004 e era o meu primeiro ano de sénior no S.C. Espinho, ainda que no ano anterior já fizesse parte do plantel com idade júnior. O treinador era Francisco Barão (actual treinador adjunto do Sporting B), treinador muito exigente e rigoroso. Na altura não jogava muito assiduamente, embora fosse visto como a grande promessa do clube, e era muito acarinhado por toda a gente no clube e na cidade!
Sensivelmente a meio da época, ia eu a pé para o treino, como normalmente fazia, passa o mister Barão no seu carro e buzina para me dar boleia. Eu entro no carro, trocamos um bom dia e pouco mais até chegar ao estacionamento no estádio. Aí, já com o carro parado, vira-se para mim e diz:
– Toda a gente me fala do Filipe, que é um grande jogador, que é a maior promessa da formação do clube, que tem de jogar nesta equipa, mas sabes a minha opinião?
Após uma pausa na qual me mantive calado, ele diz:
– Tu não jogas um caralho, ainda não és ninguém!
Ele abre a porta do carro e praticamente convida-me a sair também sem dizer mais nada e eu triste como tudo pelo que tinha ouvido mas doido por provar-lhe que estava enganado. E assim continuei a semana de treinos até ao jogo.
Jogávamos domingo contra a Académica B, jogo importante para a nossa ambição de subir à II Liga. No dia do jogo, o mister põe-me no onze titular, ganhámos, marquei um grande golo e fiquei cheio de moral como se costuma dizer. O treinador mal valorizou a situação, mas a partir daí foi-me dando mais algumas oportunidades. Hoje consigo compreender que aquilo foi uma maneira de me espicaçar mas na altura não foi fácil, confesso.


Depois do Sp. Espinho, jogou no Sp. Braga, Leixões, V. Setúbal, P. Ferreira, Trofense, Moreirense, Estoril e Slask Wroclaw antes de assinar em Janeiro pelo Nacional.

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Um comentário sobre “Filipe Gonçalves

  1. O Mister Barão é um grande homem e grande treinador tinha dessas saidas mas a trabalhar é espetaculo

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