Filgueira

Iniciei a época 2003/04 a recuperar de uma lesão, fui operado ao menisco, depois também tinha problemas de cartilagens, ligamentos, aquelas coisas todas. Não correu muito bem, fiquei de fora e comecei a treinar limitado. Tivemos uma mudança de treinador, saiu o Manuel José e entrou o Inácio e eu já quase não treinava. Quando foi o jogo em que acabei por chegar aos 400 jogos, nós não tínhamos defesas, os outros centrais estavam lesionados e eu não treinava há vários dias. O Inácio estava ali com aquela situação e ofereci-me, se quisesse contar comigo, mesmo limitado, podia jogar. Ele ainda ficou na dúvida, agradeceu muito o empenho e ainda cheguei a fazer um treino antes de ir ao Estádio do Dragão. Joguei, mas não correu muito bem, levámos uma goleada, 4-0. Ao chegar desta forma aos 400 jogos tive um sentimento misto, até porque não estávamos muito bem na classificação.

No dia do treino após esse jogo, estava no balneário com o plantel e a direcção do Belenenses em peso, mais a administração da SAD, entraram por ali dentro. Até achei estranho, o que é que se iria passar ali… Prestaram-me uma grande homenagem, fiquei surpreso, entregaram-me uma salva de prata pelos serviços prestados ao clube ao longo de oito épocas. Mais tarde fui homenageado também pela Fúria Azul. E aquilo foi a despedida, estávamos em Março e nunca mais joguei, andei só a treinar para recuperar e depois conseguir levar uma vida normal. Fiquei grato, dei muito ao clube, mas o Belenenses deu-me muito também. Por isso é que mantivemos uma relação estreita até hoje. A seguir fui convidado para treinar os juniores, passei por quase todos os escalões e cheguei mesmo a treinador principal, naquela fase de transição quando saiu o José Couceiro. E ainda fui adjunto do José Mota, na segunda liga.

Curiosamente tinha chegado aos 300 jogos no Estádio da Luz. Nessa altura já tinha o estatuto de estrangeiro com mais jogos no campeonato português. E todos a titular! Vencemos o Benfica por 3-2, até marquei um golo. Por causa disso perguntaram-me se no jogo 400 também ia marcar, mas saiu tudo errado. E com o Sporting também posso contar um episódio, quando estava no Vitória de Setúbal fui negociado para lá, só que depois queriam mandar-me para Guimarães, por causa dos Pedros, o Martins e o Barbosa. O Sporting comprou o meu passe e era para ficar, com o Carlos Queiroz a treinador. Depois existiu uma situação com os empresários, o meu era o Artur Futre e tive um choque com o José Veiga, que estava a colocar jogadores no Sporting. Acabei por ir para o Marítimo, foi o Santana Lopes que resolveu as coisas. E nem cheguei a assinar nada pelo Sporting. Mas também não quis ser moeda de troca lá para Guimarães. Acabei por ficar só uma época na Madeira, a adaptação não correu bem, tinha uma filha pequenina e a minha esposa apanhou um susto nas viagens. Vim por empréstimo para o Belenenses, gostaram e fiquei em definitivo. Foi até ao fim da carreira.


Estrangeiro com mais jogos na I Divisão e 13º na lista geral, não verá o seu record batido tão cedo. E tudo começou quando chegou em 1988, para representar o Desportivo de Chaves.

 

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2 comentários sobre “Filgueira

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