Fernando Tomé

Quando se deu o 25 de Abril de 1974, o Sporting tinha jogado na véspera em Magdburgo, ex-RDA. A novidade foi-nos dada pelo próprio presidente do clube, João Rocha, que seguia à nossa frente e entrou no autocarro para informar que se tinha dado um golpe de Estado, mas as notícias não eram claras e quando chegássemos a Berlim teríamos certamente mais informações. Ficámos todos em polvorosa, por estarmos em total ignorância e imaginando o pior.
Com o aeroporto e as fronteiras terrestres e marítimas encerradas, o nosso regresso foi uma odisseia. Chegados a Frankfurt, o balcão da TAP estava fechado, mas não arredámos pé, até que lá apareceram dois funcionários. O sr. João Rocha pediu mais informações sobre o que se passava em Portugal e eles responderam que ouviram na BBC que tinham morrido milhares de pessoas, além dos feridos, que eram às centenas de milhares. Gerou-se logo ali uma grande confusão e um dos acompanhantes da viagem sai-se com a seguinte tirada: “Porra! E eu que deixei o carro na Baixa”. Sem querer, ainda nos rimos. Dali seguimos para Madrid e depois de autocarro até Badajoz, onde no dia 26 lá nos autorizaram a atravessar a fronteira.
E pronto, quando chega o dia 24 de Abril, os sportinguistas dizem “faz hoje anos que o Tomé falhou, a três minutos do fim, o golo em Magdburgo que nos levava à final da Taça das Taças”. Era o golo que eu mais gostava de ter marcado. Esta foto é de um treino dessa época. Estão o Osvaldo Silva, que era adjunto, o Nelson, Dinis, Chico, Yazalde, eu e o Mário Lino, nosso treinador.


Iniciou a carreira em Setúbal, para onde mais tarde regressaria depois de seis épocas de leão ao peito. Após essa segunda passagem pelo Vitória seguiu para Leiria, onde terminou a carreira.

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Um comentário sobre “Fernando Tomé

  1. Que saudades que eu tenho da nossa equipa, vencedora do “Nacional” e da Taça de Portugal e que a seguir ganhou o Torneio Liberdade nos EUA, quando os organizadores tentaram roubar-me a pasta onde julgavam que eu tinha o cachet” que recebi, ameaçando-os de não haver o segundo jogo. Vocês foram excecionais quando lhes pedi para aguentarem no autocarro até eles nos pagarem. Com a brincadeira ainda fui agredido pelos vigaristas, mas pelo menos trouxemos o dinheiro, enquanto o FC Porto não viu um tostão. Ganhámos a Taça de Portugal, mas o treinador que nomeámos no sábado foi o Osvaldo Silva. É bom que não se esqueçam da nossa decisão (João Rocha, minha e do saudoso Zé Arsénio, o homem que sempre desejou ver um dia o JJ a treinar o Sporting). Tempo diferentes, não eram Tomé.

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