Domingos Paciência

Há um momento da minha carreira, na transição de júnior para sénior, que acaba por ter muita influência no meu futuro como jogador. Vinha da formação de iniciados e juvenis e não tinha jogado muito e como júnior cheguei a andar a treinar como guarda-redes. Em virtude da falta de jogadores para essa posição pediram-me para ir para a baliza. Foi um período de desânimo e de algum descontentamento e, sobretudo, estava preocupado com o meu futuro enquanto jogador de futebol.
A equipa de juniores era composta por cerca de 35 jogadores, o plantel era muito grande. Na altura, como avançados dos juniores o FC Porto tinha o Tozé, que foi ponta-de-lança do Salgueiros e do Sporting, o Lay, que era um jogador cabo-verdiano, havia ainda um ponta-de-lança luso-francês que era o Berto, mais um ou outro. Estava tapado por estes jogadores.
Até que num fim-de-semana fui jogar pela equipa B dos juniores a Famalicão. Lembro-me de ter sido um dos últimos suplentes a ser utilizado, entrei a uns dez minutos do fim, e nesse tempo consegui fazer e mostrar coisas interessantes ao treinador da altura, que era o Rodolfo Reis. Perdemos esse jogo, ele ficou muito chateado com a equipa, estava revoltado com o resultado e com o comportamento de alguns jogadores, e no final dessa bronca acabou por dizer que eu, mais dois ou três jogadores, estávamos convocados para ir no dia seguinte jogar um particular contra a equipa de seniores do Entroncamento.
Saímos logo no domingo de manhã e, para minha surpresa, estava a titular na equipa A de juniores. Ganhámos 3-0, marquei dois grandes golos e é aí que acontece um momento de viragem. Em dois dias consegui que olhassem para mim de outra forma e mudar aquilo que era para mim uma tristeza e um descontentamento muito grande.
Nesse ano acabo o campeonato de juniores como titular, sendo campeão, e assino o contrato profissional de sénior. A minha estreia pelos seniores foi na Taça de Portugal, em 1987, contra o Moura, e no campeonato foi contra o Elvas, nas Antas, e com um golo.


Formado no FC Porto, só não jogou de dragão ao peito nas duas épocas em que esteve no Tenerife. E os primeiros passos como treinador também foram dados por lá, na equipa B dos azuis e brancos.

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