Diamantino Miranda

Ao longo da minha carreira tive vários episódios marcantes e o mais negativo foi na época de 87/88, talvez a minha melhor em termos de rendimento, quando a quatro dias da final da Taça dos Campeões Europeus sofri uma lesão grave no joelho, uma rotura de ligamentos cruzados, e fiquei afastado desse jogo em Estugarda, com o PSV. Já tinha participado numa final da Taça UEFA, o Benfica estava arredado de finais da Taça dos Campeões há muito tempo, há 20 anos, era o regresso às grandes finais e, ver-me afastado quatro dias antes, como devem calcular, foi muito triste.
A lesão foi num jogo contra o Vitória de Guimarães. O Toni, que era o nosso treinador, tinha feito uma gestão da equipa principal durante dois jogos, não tínhamos participado nos últimos dois jogos anteriores a esse, e resolveu nesse jogo, que foi num sábado, fazer aquilo que se denominava um treino de conjunto. A equipa que iria jogar a final na quarta-feira faria esse jogo com o Guimarães, aproveitava a competição mas para fazer um resumo daquilo que queria que a equipa fizesse depois com o PSV e colocou a equipa que seria a titular. E calhou-me a mim a fava, logo na minha melhor época em termos desportivos. É irónico.
Felizmente tenho muitas histórias positivas. Tenho uma que é muito pouco conhecida mas que contenta-me muito quando estou a falar com alguém. Nem sei se alguma vez disse isto publicamente. Tive a sorte de pertencer à geração que jogou no primeiro Mundial de juniores, por exemplo. Foi quando o Maradona começou a aparecer, no Japão, em 1979. Também tive a felicidade de pertencer a um plantel que, pela primeira vez, levou Portugal a um Europeu, em França, em 1984. Participei num Europeu de juniores, num Europeu de seniores e num Mundial, fiz o pleno.
Se calhar pouca gente sabe, mas tive a felicidade de fazer parte da grande transição no futebol português, do futebol amador para o futebol profissional, em termos de selecções. Estive em todas e orgulho-me muito disso, com todos os espinhos que houve pelo caminho, o certo é que o futebol português, desde aí, melhorou muito em termos de organização e profissionalismo, o que o levou a dar um enorme salto na Europa. Realmente o que faltava era organização administrativa e foi o que passou a haver. A partir daí, as reais faculdades dos jogadores portugueses começaram a ser demonstradas por essa Europa fora e hoje é o que se vê.


Dez épocas no Benfica fizeram dele uma referência do futebol nacional nos anos 80. Terminou em 1993, no V. Setúbal, e tornou-se treinador. Hoje é comentador da TVI.

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