Cau

Estava no Campomaiorense com o Carlos Manuel e fomos jogar com o Rio Ave a Vila do Conde. Antes de irmos, uma semana antes, pedi se podia levar o meu carro. Como sou do Porto, sempre que íamos ao Norte pedia ao massagista, ao médico ou a alguém da Direcção do clube para me levar o carro. Eu ia juntamente com os meus colegas no autocarro e assim ficava com o carro para passar o fim-de-semana em casa.
Perdemos 1-0, com um golo do Miguelito a uns cinco minutos dos 90, e o Carlos Manuel, com toda a azia por termos perdido já perto do fim, mandou todos de volta para Campo Maior. Fiquei mesmo chateado e triste. No balneário ainda o confrontei com isso, porque ele tinha-me dito que podia ficar em casa mas mandou regressar toda a gente. Então tive de levar o carro a um familiar, que o levou para Campo Maior, e voltei novamente de Campo Maior para o Porto. É uma história que acho muito interessante. Como ele não gostou da forma como decorreu o jogo, porque a verdade é que as equipas do Carlos Manuel jogavam sempre bem, fez-me andar nestas voltas. E eu, além de chateado, fiquei mesmo triste com aquela situação.
Tenho outra história com o Carlos Manuel, quando estava no Salgueiros. Fomos estagiar ao Algarve e ficámos no quarto andar de um hotel. Depois de jantar, o Carlos Manuel disse que o pessoal podia ir dar uma volta e tal. Estava eu, o Chico Fonseca e o Nandinho a descer no elevador, mais outros colegas que não me lembro e uns turistas. Falava-se Inglês, Alemão, Francês e não sei quê, e o pessoal não percebia népia. Entretanto, o Chico Fonseca vira-se para o Nandinho e diz assim:
– Fogo, estes gajos são uns pedófilos do caraças, pá!
O Nandinho achou estranho e perguntou-lhe o que era aquela conversa.
– Sim, são todos pedófilos.
– Mas porquê, Chico?
– Porque falam todas as línguas.
E eu:
– Pedófilos, Chico? Quem fala todas as línguas são poliglotas, Chico…
A propósito de estágios, quando estava na selecção dos sub-20, quando fomos campeões do Mundo em 1991, estávamos a estagiar no hotel Penta antes do primeiro jogo no Estádio da Luz, depois de termos começado o Mundial no Estádio das Antas. Num treino no Estádio Nacional, o campo estava todo descompensado, cheio de buracos. Numa jogada qualquer, ia fazer um passe e, em vez de acertar na bola, acertei na relva. Até fiz um entorse do caraças e passei o campeonato quase todo lesionado. Na altura, o Português saía-me um bocado complicado e, em vez de gritar outra coisa qualquer, disse: “chiiiça!”
Desde essa altura, o Rui Costa, o Figo, todos esses craques tratam-me por Chiça por causa desta situação.


Formado no FC Porto, foi campeão do Mundo de Sub-20 em 1991 e teve uma longa carreira na I Divisão ao serviço de Tirsense, Leça, Salgueiros e Campomaiorense.

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