Catarina Matos

Quando eu era miúda, com uns 5 anos, o meu clube era o Estoril. Não era porque morava lá perto, eu cresci na Mealhada. Nem nunca tinha ido ao Estoril, nem sequer sabia que era o nome de uma terra. A razão pela qual eu era do Estoril era muito simples: eu adorava amarelo.
Parece-me uma razão mais do que plausível para ser torcedora de um clube. Não escolhemos os amigos com base nos interesses e conversas, namorados com base no sentido de humor e se tem mãos bonitas?
Eu escolhi o clube com base na cor. O meu avô era do Porto, o meu pai é do Sporting, escusado será dizer que se riram muito quando declarei, solene, vestida de amarelo da cabeça aos pés: eu sou do Estoril!
O velho televisor que os meus avós tinham na cozinha era da marca Estoril. “Estás a ver, avô? Até a televisão é do Estoril, quando passam os jogos do Porto está sempre ali escrito Estoril.” Irrefutável, este argumento!
Já não sou do Estoril e nem o amarelo é a minha cor favorita. A vida não ficou menos colorida, apenas se pintou de outras cores. Comecei a observar esse mundo do futebol, tão distante para mim, mas que me fascinou ao ponto de reunir algumas considerações:

Os homens a falar de jogadores de futebol parece que têm fetiche por pés.
“Aquele gajo tem cá uns pezinhos!”

Dica para ganhar dinheiro se a pessoa sofrer de Tourette:
Seja contratada por uma claque de futebol.

Devia haver jogo tipo Championship Manager mas em vez de jogadores de futebol escolhiam-se actores para os Mercenários.

Numa realidade paralela, um macaco tira treinadores de futebol do nariz e come.

Não tenho nada contra o futebol, até acho que é graças a ele que algumas pessoas têm noções de geografia.


A sua vida mudou quando emigrou para São Paulo e começou a fazer stand-up comedy, o que a levou até ao prestigiando programa televisivo “Comedy Central Apresenta”. Actualmente reside em Berlim.

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