Catarina Camacho

A minha ligação ao futebol vem, agora me apercebo, desde pequena. O meu pai foi jogador do Marítimo, queria ter seguido essa carreira mas o pai dele não achou muita graça e acabou por se formar em Filosofia e Psiquiatria. Mas o bichinho do futebol falou mais alto e passou a jogar por lazer e a treinar algumas equipas. Eu era pequena e lembro-me de ir com ele para os treinos. Era a mascote dos clubes. Lembro-me que não gostava de futebol, não percebia nada das regras e tinha medo das bolas (ainda hoje). Mas gostava das pessoas. Depois cresci e comecei a sentir uma verdadeira aversão ao futebol. Não pelo jogo em si, mas pela violência e excessos que provoca.
Em 2004 fui trabalhar por acaso, como voluntária, para o Estádio de Coimbra. Quando me apercebi estava a viver a euforia do famoso Euro de 2004. Fiquei na parte dos media e com acesso livre a área dos jogadores, relvado e afins. Conheci jornalistas de todo o mundo. Foi incrível! Privei com grandes jogadores que eu não conhecia além do David Beckham, porque era o mais mediático, também fiquei a saber que o Zidane era “top top” e muito simpático por sinal, devo dizer. Estava onde toda a gente queria estar e eu não dava o valor que toda a gente me dizia que devia dar. Para mim eram pessoas como outras quaisquer.
Analisando agora, o importante para mim ali foi perceber que afinal não era ser psicóloga que devia ser, mas sim jornalista. E assim foi.
Agora a parte cor de rosa do Euro 2004. Nessa altura também me apaixonei por um rapaz, que fiquei mais tarde a perceber que afinal era jogador de futebol. Uma paixão absolutamente platónica, que fique bem claro, nunca se passou nadinha (não posso dizer o nome por uma questão de ética). Ele foi para o país dele e eu fui estudar. Anos mais tarde cheguei, por acaso, ao mundo da televisão. E continuava a fugir de tudo o que fosse futebol porque não gostava nem percebia a loucura do fenómeno, portanto pedia sempre para fazer tudo menos futebol.
Mas claro, de quando em vez… lá tinha de fazer umas reportagens.
Um dia, em Londres, tive de entrevistar o tal jogador… a antiga paixão. Morri a rir quando soube, mas lá fui. Mas o engraçado é que a “paixão” já tinha passado, obviamente, e lembro-me até de ter pensado quando o vi “onde estava eu com a cabeça naquela altura? Que disparate!”. No final da entrevista ele surpreendeu-me e disse: “eu lembro-me de ti”. A história ficou por ali. Eu era na altura casada e nem voltei a pensar no assunto. Foi um episódio caricato.
Na minha família todos vibram com o Sporting. Homens, mulheres e cães, todos. Quando o Sporting joga o mundo pára. O meu filho é sócio da Académica desde o dia em que nasceu. Tem quase cinco anos e já é do Sporting e da Académica. O pai leva-o a ver os jogos ao estádio e ele vibra. Quer ser jogador de futebol, claro. Sabe o que é um fora de jogo e eu não!
No outro dia cheguei a casa depois de um Aqui Portugal e dei com o seguinte cenário: a minha mãe e o meu filho refastelados no sofá a ver um jogo do Sporting. Gritavam, riam, davam pulos e abraços quando marcavam golo e até insultavam o árbitro quando algo se passava. “Está bonito”, pensei eu.
Portanto tudo indica que, mesmo eu não gostando de futebol, esta modalidade faz e parece que fará parte da minha vida para sempre!


Jornalista e apresentadora da RTP, criou o blogue “The girl next door” e a marca de vestuário e acessórios “Oh my god, girls & boys”.

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