Catarina Beato

Até aos meus 24 anos era muito assídua no Estádio de Alvalade. Ia sempre à bola ver o Sporting, comprava o bilhete anual e ia praticamente a todos os jogos. Quando fiquei grávida do Gonçalo continuei a ir ao estádio, apesar de as emoções serem mais difíceis de gerir e tinha sempre a sensação de que o bebé ia sair a qualquer momento.
O Gonçalo nasceu em Dezembro e nos primeiros jogos dessa época, a primeira no novo Estádio de Alvalade, já estava mesmo muito grávida. Cheguei a um dos jogos e estava aflitinha, as grávidas têm muita vontade de ir à casa-de-banho. Ao intervalo, já não aguentava mais, estava mesmo aflita, quando cheguei lá fora vi que a fila para a casa-de-banho das mulheres era uma coisa impressionante, daquelas muito longas. Elas viram a grávida mas ninguém se mexeu. Como não tinha alternativa, fiquei quietinha na fila. Nisto, passa um sportinguista, um senhor perto dos 50 anos, que me pega na mão e diz:
– Desculpe, venha comigo.
Chegámos à porta da casa-de-banho dos homens e disse:
– Tudo com o material para dentro porque vai entrar uma mulher grávida!
Então toda a gente se pôs apresentável no urinol para que eu pudesse ir fazer o meu xixi. Foram todos de uma simpatia extrema, mas tiveram de ser os senhores a ter essa simpatia.
Depois disso, infelizmente, até por outras circunstâncias, deixei de comprar o bilhete de época e de ir tantas vezes ao estádio. Foi o meu último ano memorável a ir a Alvalade.


Jornalista, escritora e autora do blog Dias de Uma Princesa, publicou recentemente o livro Dias de Uma Princesa Grávida e ainda a podemos ver na SIC Mulher.

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